Cultura
Plataforma Kariri Território Criativo conecta agentes culturais no CE
Cultura
Lançada em abril deste ano no Ceará, a Plataforma Kariri Território Criativo dará mais um passo na difusão da produção, da conexão, do mapeamento e de iniciativas culturais das cidades do sul cearense, conhecida como região do Cariri.

A plataforma, que pode ser acessada de graça por meio do endereço kariricriativo.com, funciona como um ambiente digital para conectar empreendedores criativos, produtores culturais, artistas, coletivos, mestres da cultura, pesquisadores e diversos agentes do setor criativo da Região Metropolitana do Cariri cearense.
Circuito Pulsa Cariri
Para incentivar uma maior adesão à plataforma, a Quitanda Soluções Criativas, em parceria com os governos federal e estadual, está realizando uma série de visitas por meio do Circuito Pulsa Cariri.
Nesta quarta-feira (19), gestores públicos, mobilizadores, empreendedores e agentes culturais da cidade de Missão Velha participam de uma programação voltada à formação, à articulação e à construção coletiva de estratégias para fortalecer a economia criativa municipal. Além disso, realizam cadastro no site e acessam os benefícios.
Entre os recursos disponíveis na plataforma estão a divulgação de oportunidades e editais, calendário de eventos e atividades culturais, cursos e formações, além da Rede de Criativos, que permite aos profissionais o cadastro dos perfis e que eles apresentem seus trabalhos e ampliem o networking.
As próximas cidades a receberem o Circuito Pulsar Cariri são Caririaçu, no dia 17 de junho; e Farias Brito, no dia 29 de julho.
Cultura
Canções sobre cidades atravessam gerações e marcam os festejos juninos
Entre as águas do Rio São Francisco e a ponte que liga duas cidades irmãs, a canção “Petrolina, Juazeiro”, composta por Jorge de Altinho e Chico Angra e lançada pelo Trio Nordestino na década de 1970, transformou duas cidades em um dos retratos mais conhecidos da música nordestina. Ao atravessar gerações, a música mostra como o forró também funciona como registro afetivo dos territórios, transformando paisagens, costumes e histórias locais em versos que seguem circulando muito além das fronteiras regionais.

Essa relação entre música e pertencimento ganhou espaço na trajetória do cantor e compositor Del Feliz, que já escreveu mais de 150 canções em homenagem a municípios brasileiros. A primeira delas foi dedicada à cidade baiana Amargosa, no Vale do Jequiriçá. Segundo o artista, a iniciativa surgiu de forma espontânea e com o passar do tempo, prefeitos, moradores e representantes de diferentes localidades passaram a solicitar composições que retratassem os municípios.
“Eu comecei a pesquisar a cidade e aí falei: ‘não, tem muita coisa boa aqui, eu vou querer juntar tudo que é relevante’. Virou uma identidade da cidade, eu acabei me tornando cidadão de Amargosa. E aí veio o ciúme de algumas cidades ali próximas, o pessoal amigo, né, obviamente que tiveram acesso, dizendo, ‘ah, mas falta nossa, não sei o quê, a de Cruz, a de Santo Antônio’. Aí eu comecei fazer, recebi também os títulos de cidadão de lá. As músicas repercutiram também igualmente, muito positivamente no coração das pessoas. Acho que todo mundo é um tanto bairrista, né?”
Outro exemplo desse movimento é Sertão de Curaçá, composta por Targino Gondim e Zé da Wilton. Lançada em 1997, a música homenageia a cidade baiana, às margens do Rio São Francisco, conhecida como Capital dos Vaqueiros. Segundo Targino, a composição nasceu da convivência com a cultura sertaneja local e também da necessidade de registrar elementos que fazem parte da identidade do município.
“Quando eu tive um encontro com Zé da Wilton, que é um apelido de Zé de Lalinha, um senhor com um sonho de de virar artista. E aí ele entrou comigo e me mostrou algumas canções, tudo e tal e tinha essa ideia dessa música Sertão do Curaçá e foi quando eu tive a ideia de compor junto com ele e aumentar algumas coisas, transformando a música em uma espécie de também de registro sobre o acontecimento com a Ararinha Azul. Na época a Ararinha Azul tinha tinha entrado em extinção, né? E aí eu resolvi compor essa música nessa época”.
No período junino, essas canções seguem percorrendo estradas, feiras e arraiais. Mais do que animar os festejos, elas transformam cidades em versos e ajudam a manter vivas histórias que atravessam gerações.
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