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Menu para 2026 em Várzea Grande: lixo + doenças = caos

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O ano de 2025 termina de forma caótica em Várzea Grande. O cenário que se impõe nas ruas não é fruto do acaso nem de fenômenos imprevisíveis. É resultado direto de uma gestão incapaz de enfrentar problemas elementares. Lixo acumulado, alagamentos recorrentes e a volta anunciada da dengue compõem o retrato de uma cidade entregue ao improviso, justamente em um momento que exigia comando, planejamento e responsabilidade.

Moradores de diversos bairros denunciam a ausência de coleta regular de lixo há cerca de duas semanas. O problema tem provocado acúmulo de resíduos nas vias públicas, mau cheiro, proliferação de animais e riscos à saúde, especialmente em regiões como o Residencial São Mateus II, Costa Verde e Linhão. Sem alternativa, parte da população passou a descartar lixo em terrenos vazios, transformados em lixões a céu aberto, inclusive em frente a uma creche recém-inaugurada. A Prefeitura informou que notificou a empresa responsável e prometeu normalizar o serviço até o dia 31 de dezembro, enquanto moradores seguem cobrando medidas emergenciais e um cronograma claro de coleta.

Eleita sob o discurso da mudança e da modernização administrativa, a prefeita Flávia Moretti encerra seu primeiro ano de mandato com um saldo negativo: insatisfação popular e deterioração dos serviços públicos essenciais. Em pleno período natalino, a população foi obrigada a conviver com ruas tomadas por lixo, reflexo direto da coleta irregular provocada por seis meses de inadimplência da Prefeitura junto à Locar, empresa responsável pelo serviço. A dívida, que já ultrapassa R$ 12,4 milhões, escancara o descontrole administrativo. Enquanto isso, garis denunciam baixos salários e condições precárias de trabalho, e bairros inteiros convivem com um odor insuportável.

Após quase um ano de gestão, a prefeita já não pode atribuir o problema do lixo a administrações anteriores. Trata-se de incapacidade da atual gestão em executar o básico: garantir a regularidade de um serviço essencial. Hoje, o lixo produzido no município é simplesmente empurrado para fora de seu território. A coleta terceirizada, culmina no transporte dos resíduos até o Ecoparque Pantanal, em Cuiabá. Várzea Grande não apenas terceirizou o serviço, mas terceirizou sua responsabilidade, assumindo custos elevados de transporte e pagamento por tonelada, tornando o contrato do lixo um dos mais caros do orçamento municipal e criando uma dependência estrutural de um equipamento externo.

Se nem o básico a Prefeitura consegue fazer, imagina realizar a coleta seletiva, que em Várzea Grande é praticamente inexistente, sendo realizada apenas de forma extraoficial por associações de catadores, uma categoria invisível e excluída no município. Não há política pública consistente de redução, reutilização ou reciclagem. O município limita-se a deslocar toneladas de resíduos diariamente, perpetuando uma lógica ultrapassada de simplesmente enterrar lixo, em flagrante desrespeito à Política Nacional de Resíduos Sólidos.

O capítulo mais recente da crise do lixo foi o embate jurídico envolvendo a Prefeitura e a Locar Saneamento Ambiental. Mais do que uma disputa contratual, o caso expõe a fragilidade institucional na gestão de um serviço essencial. Com contrato vencido, decisões judiciais conflitantes e liminares concedidas em regime de plantão, Várzea Grande tornou-se palco de um imbróglio jurídico que gera insegurança, paralisa decisões administrativas e, ao final, penaliza a população.

Nesse jogo jurídico de liminares, prazos estendidos e contratos questionados desde a origem, o lixo segue se acumulando nas ruas enquanto instituições disputam interpretações jurídicas. O caso da Locar não é apenas sobre quem presta o serviço, mas sobre como decisões desalinhadas transformam exceções em regra e emergências em rotina, corroendo o interesse público e a confiança da sociedade.

Como se não bastasse isso tudo, o lixo acumulado encontra um aliado previsível: chuvas cada vez mais intensas e concentradas. Bueiros entupidos, galerias obstruídas e córregos assoreados transformam qualquer precipitação em ameaça. O resultado é conhecido: alagamentos recorrentes, prejuízos à população e riscos crescentes à saúde pública. Não se trata de “eventos extremos”, mas de infraestrutura abandonada e gestão ausente.

Água parada, resíduos espalhados e calor intenso criam o ambiente ideal para a proliferação do Aedes aegypti. As projeções científicas da FGV e da Fiocruz para 2026 indicam um novo ciclo epidêmico de dengue no Brasil, com cerca de 1,8 milhão de casos estimados. Em cidades como Várzea Grande, onde lixo e saneamento são tratados como questões secundárias, a dengue não será surpresa,será consequência direta da omissão administrativa. E isso certamente sobrecarregará o sistema de saúde local, que também enfrenta graves problemas. Ou seja, é sempre a população, especialmente a mais pobre, que arcará com os custos da negligência municipal.

A lei é clara: a responsabilidade pela gestão dos resíduos sólidos é municipal. Em Várzea Grande, essa atribuição recai sobre a prefeita Flávia Moretti. No entanto, em vez de priorizar uma gestão técnica, estável e planejada, a administração optou por disputas políticas, improvisos administrativos e alta rotatividade de secretários. O resultado é um governo fragilizado, inchado por cargos comissionados e esvaziado de capacidade técnica.

Os dados oficiais desmontam qualquer tentativa de minimizar o problema. Embora 97,6% da população tenha acesso à água potável, Várzea Grande perde quase 59% da água distribuída. No esgotamento sanitário, apenas 29,6% dos moradores são atendidos pela rede, e somente 16,6% do esgoto é tratado. No Ranking do Saneamento 2025, divulgado pelo Instituto Trata Brasil com dados do SNIS, o município ocupa a 92ª posição entre os 100 mais populosos do país, permanecendo entre os 20 piores em saneamento básico. Não se trata de herança recente, mas de incapacidade do presente.

É evidente que parte da responsabilidade também passa pelo comportamento de alguns cidadãos. Contudo, essa constatação não pode servir de álibi para a inação do poder público. Educação ambiental, fiscalização e planejamento não acontecem por inércia. Quando o Estado se omite, o caos se instala.

Gostaria de relembrar que, em 14 de fevereiro, eu já havia apontado, por meio de outro artigo, o mesmo diagnóstico para a gestão dos resíduos sólidos em Várzea Grande, com argumentos praticamente idênticos. Desde então, nada foi feito e o problema apenas se agravou. A sensação é de que o caos foi permitido para, depois, justificar uma “solução”. A época a única reação da prefeita e de seus aliados foi esbravejar antipatia e críticas veladas nos bastidores do Paço Municipal. Isso revela uma gestão incapaz de ouvir críticas técnicas e, ao mesmo tempo, incapaz de resolver o problema por conta própria.

Se nada mudar, o menu de 2026 já está escrito: lixo acumulado, chuvas intensas, alagamentos, dengue, chikungunya, leptospirose, unidades de saúde sobrecarregadas e serviços públicos em colapso. Não será uma tragédia anunciada; será negligência confirmada.

O lixo é de todos.

A responsabilidade também.

Mas governar não é discurso: é dever.

E, em Várzea Grande, esse dever vem sendo sistematicamente negligenciado, e o povo é que está perecendo.

Janielly Carvalho Camargo
Bióloga, mestre e doutora em Ecologia de Ambientes Aquáticos Continentais e estudante de Jornalismo.

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Agosto Lilás, romper o silêncio é um compromisso de todos!

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O mês de agosto nos convida a refletir sobre uma das maiores feridas da nossa sociedade: a violência contra a mulher. O Agosto Lilás não é apenas uma campanha de conscientização. É um chamado para que todos nós deixemos a indiferença de lado e assumamos o compromisso de proteger vidas.

Todos os dias, milhares de mulheres carregam marcas que nem sempre podem ser vistas. Algumas escondem hematomas. Outras convivem com cicatrizes emocionais provocadas por humilhações, ameaças e medo. Muitas permanecem em relacionamentos abusivos porque dependem financeiramente do agressor, não encontram apoio ou perderam a esperança de recomeçar.

Nenhuma mulher deveria viver assim.

É inadmissível que Mato Grosso, um dos Estados que mais cresce economicamente no Brasil, carregue também a triste marca de figurar, pelo terceiro ano consecutivo, entre os que mais registram feminicídios. Esse contraste nos envergonha e reforça que desenvolvimento só é verdadeiro quando preserva vidas e garante dignidade.

A Lei Maria da Penha, que completa 20 anos, transformou o enfrentamento da violência doméstica ao reconhecer que esse não é um problema privado, mas uma grave violação dos direitos humanos. Porém, leis, sozinhas, não mudam a realidade. Elas precisam ser cumpridas e acompanhadas por políticas públicas eficientes.

Foi com esse propósito que apresentamos iniciativas para fortalecer a proteção às mulheres em Mato Grosso. Entre elas, o Projeto de Lei nº 107/2025, que reserva vagas de emprego em contratos públicos para mulheres em situação de violência ou vulnerabilidade social, oferecendo uma oportunidade concreta de reconstrução por meio da independência financeira.

Também são de nossa autoria a Lei nº 11.795/2022, que criou um guia permanente da rede de atendimento às vítimas, e a Lei nº 13.151/2025, que ampliou a mobilização dos homens pelo fim da violência contra a mulher e institucionalizou a campanha Laço Branco no calendário estadual. Afinal, homens de respeito respeitam as mulheres.

Como presidente da Assembleia Legislativa, também solicitei informações sobre a aplicação das mais de 60 leis estaduais já existentes de proteção às mulheres. O desafio não é apenas criar normas, mas fazer com que elas cheguem à vida de quem mais precisa.

Mas nenhuma lei será suficiente sem uma mudança de consciência. A violência nasce, muitas vezes, dentro de casa, alimentada pelo desrespeito, pelo machismo e pela intolerância. O lar deve ser um lugar de acolhimento, nunca de medo.

Neste Agosto Lilás, convido cada cidadão a fazer sua parte. Que acolhamos quem pede ajuda, denunciemos a violência e eduquemos nossas crianças para o respeito, a igualdade e a empatia.

Romper o silêncio é um ato de coragem. Estender a mão é um gesto de humanidade. Construir um Mato Grosso onde nenhuma mulher tenha medo de viver é uma missão de todos nós.

*Max Russi, deputado estadual e atual presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso

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