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Inteligência Artificial em excesso ou ausência de identidade?

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Por Wellington Porto*

 

Existe um assunto que domina praticamente todas as rodas de conversa: a Inteligência Artificial. A verdade é que estamos vivendo uma das maiores transformações da história da comunicação. Ferramentas que antes eram da ficção científica hoje criam imagens, vídeos, textos, campanhas e até estratégias completas em poucos minutos.

 

Como profissional do marketing, acompanho esse movimento com entusiasmo. A Inteligência Artificial trouxe ganhos inegáveis de produtividade, reduziu barreiras de acesso à tecnologia e permitiu que empresas de diferentes portes tivessem acesso a recursos que antes estavam disponíveis apenas para grandes organizações. Seu impacto positivo é evidente e dificilmente haverá retorno a um cenário anterior.

 

No entanto, enquanto grande parte do mercado concentra suas discussões na possibilidade de a tecnologia substituir profissionais, acredito que existe uma reflexão ainda mais relevante e menos debatida: o risco de a Inteligência Artificial contribuir para a perda da identidade das marcas.

 

Ao observar as redes sociais, é possível perceber um fenômeno cada vez mais frequente. Empresas de segmentos completamente distintos começam a apresentar uma comunicação visual extremamente semelhante. Mudam os produtos, mudam os serviços e mudam os públicos, mas as peças carregam os mesmos elementos gráficos, as mesmas composições, os mesmos estilos visuais e, muitas vezes, até a mesma linguagem. A sensação é de que diferentes marcas passaram a ser produzidas a partir de um mesmo molde criativo.

 

Esse movimento ocorre porque a Inteligência Artificial opera essencialmente a partir de padrões. Sua capacidade de gerar conteúdo está baseada na análise de milhões de referências já existentes. Quanto maior o volume de dados consumidos, maior sua capacidade de reproduzir soluções eficientes. O problema é que eficiência nem sempre significa diferenciação.

 

E diferenciação é justamente o principal ativo de uma marca forte.

 

Ao longo da história, as empresas mais valiosas do mundo construíram seu patrimônio de marca por meio da consistência. Não se tornaram reconhecidas apenas pelos produtos que oferecem, mas pela forma única como se apresentam ao mercado. Cores, símbolos, linguagem, posicionamento e personalidade foram sendo consolidados ao longo dos anos até criarem uma conexão quase instantânea com o público.

 

Quando observamos uma determinada combinação de elementos visuais, frequentemente reconhecemos a marca antes mesmo de ler seu nome. Esse reconhecimento não é fruto do acaso. É resultado de um trabalho contínuo de construção de identidade, que exige estratégia, visão de longo prazo e, sobretudo, autenticidade.

 

É justamente nesse ponto que a Inteligência Artificial encontra seus limites. A tecnologia é extremamente competente para gerar conteúdo, mas ainda não é capaz de construir, sozinha, aquilo que torna uma empresa singular. Ela pode acelerar processos, ampliar possibilidades criativas e otimizar operações, mas não substitui a essência de uma marca.

 

A identidade nasce da capacidade de expressar valores, propósito, cultura e visão de mundo. E identidade não surge da repetição de padrões, mas da coragem de criar algo próprio. Enquanto a Inteligência Artificial aprende observando o que já existe, as marcas mais relevantes prosperam justamente quando conseguem apresentar ao mercado uma perspectiva original.

 

Talvez estejamos diante de um novo desafio para a comunicação contemporânea. Não uma crise provocada pela falta de tecnologia, mas pelo excesso dela. Não um problema relacionado à produção de conteúdo, mas à preservação da autenticidade. Em um cenário em que todos possuem acesso às mesmas ferramentas, a verdadeira vantagem competitiva passa a ser aquilo que nenhuma ferramenta consegue replicar integralmente.

 

Por essa razão, não acredito em um futuro marcado pela substituição dos profissionais criativos. Também não acredito no desaparecimento das agências ou dos estrategistas de comunicação. Pelo contrário. Quanto mais avançada a tecnologia se torna, mais valioso se torna o olhar humano capaz de interpretar contextos, compreender comportamentos e construir significados.

 

As organizações que mais se destacarão nos próximos anos não serão necessariamente aquelas que utilizarem mais Inteligência Artificial. Serão aquelas que souberem utilizá-la sem abrir mão da própria identidade. Afinal, conteúdo pode ser automatizado. Reconhecimento não. Processos podem ser acelerados. Relevância não.

 

No fim das contas, as pessoas continuam se conectando com aquilo que sempre as moveu, que são pessoas, histórias, valores, propósito e personalidade. E é exatamente nesse território que reside a força das grandes marcas, um espaço onde a tecnologia pode ser uma aliada poderosa, mas onde a construção da identidade continua sendo, essencialmente, humana.

 

*Wellington Porto é fundador e CEO da ZAP Comunicação, agência de estratégia e marketing para o agro.

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Agosto Lilás, romper o silêncio é um compromisso de todos!

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O mês de agosto nos convida a refletir sobre uma das maiores feridas da nossa sociedade: a violência contra a mulher. O Agosto Lilás não é apenas uma campanha de conscientização. É um chamado para que todos nós deixemos a indiferença de lado e assumamos o compromisso de proteger vidas.

Todos os dias, milhares de mulheres carregam marcas que nem sempre podem ser vistas. Algumas escondem hematomas. Outras convivem com cicatrizes emocionais provocadas por humilhações, ameaças e medo. Muitas permanecem em relacionamentos abusivos porque dependem financeiramente do agressor, não encontram apoio ou perderam a esperança de recomeçar.

Nenhuma mulher deveria viver assim.

É inadmissível que Mato Grosso, um dos Estados que mais cresce economicamente no Brasil, carregue também a triste marca de figurar, pelo terceiro ano consecutivo, entre os que mais registram feminicídios. Esse contraste nos envergonha e reforça que desenvolvimento só é verdadeiro quando preserva vidas e garante dignidade.

A Lei Maria da Penha, que completa 20 anos, transformou o enfrentamento da violência doméstica ao reconhecer que esse não é um problema privado, mas uma grave violação dos direitos humanos. Porém, leis, sozinhas, não mudam a realidade. Elas precisam ser cumpridas e acompanhadas por políticas públicas eficientes.

Foi com esse propósito que apresentamos iniciativas para fortalecer a proteção às mulheres em Mato Grosso. Entre elas, o Projeto de Lei nº 107/2025, que reserva vagas de emprego em contratos públicos para mulheres em situação de violência ou vulnerabilidade social, oferecendo uma oportunidade concreta de reconstrução por meio da independência financeira.

Também são de nossa autoria a Lei nº 11.795/2022, que criou um guia permanente da rede de atendimento às vítimas, e a Lei nº 13.151/2025, que ampliou a mobilização dos homens pelo fim da violência contra a mulher e institucionalizou a campanha Laço Branco no calendário estadual. Afinal, homens de respeito respeitam as mulheres.

Como presidente da Assembleia Legislativa, também solicitei informações sobre a aplicação das mais de 60 leis estaduais já existentes de proteção às mulheres. O desafio não é apenas criar normas, mas fazer com que elas cheguem à vida de quem mais precisa.

Mas nenhuma lei será suficiente sem uma mudança de consciência. A violência nasce, muitas vezes, dentro de casa, alimentada pelo desrespeito, pelo machismo e pela intolerância. O lar deve ser um lugar de acolhimento, nunca de medo.

Neste Agosto Lilás, convido cada cidadão a fazer sua parte. Que acolhamos quem pede ajuda, denunciemos a violência e eduquemos nossas crianças para o respeito, a igualdade e a empatia.

Romper o silêncio é um ato de coragem. Estender a mão é um gesto de humanidade. Construir um Mato Grosso onde nenhuma mulher tenha medo de viver é uma missão de todos nós.

*Max Russi, deputado estadual e atual presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso

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