Opinião
CUIABÁ 307 ANOS: O desafio de não ficar para trás no estado que mais cresce
Opinião
Júnior Macagnam*
Recentemente, em uma reunião com lideranças locais, algo me chamou a atenção: um sentimento crescente de desamor por Cuiabá. Como presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá (CDL Cuiabá), senti que era necessário confrontar esse sentimento com a frieza dos números. Os dados estão disponíveis para quem quiser enxergar, e eles nos mostram que o futuro não espera por ninguém.
Mato Grosso vive um momento histórico de aquecimento econômico, consolidando-se como o líder nacional em crescimento real, com uma alta impressionante de 661% nos últimos 30 anos. Somos o motor da economia brasileira, atraímos investimentos pesados, ostentamos a menor taxa de desemprego do País e fortalecemos nossa indústria. No entanto, enquanto o interior do estado dispara, Cuiabá e a Baixada Cuiabana patinam em um crescimento modesto, muito aquém do potencial que deveriam entregar como centro político e econômico.
Os dados do IBGE que comparam a evolução do PIB municipal entre 2010 e 2020 revelam um cenário que exige reflexão. É natural que cidades mais jovens e com fronteiras agrícolas em expansão apresentem saltos percentuais maiores, pois crescem sobre uma base menor. No entanto, o que nos preocupa é o ritmo de Cuiabá.
A capital cresceu 98% em dez anos, atingindo R$ 23 bilhões. Embora o volume absoluto seja expressivo, o vigor dessa marca se dilui quando notamos que a nossa região não acompanha a dinâmica de desenvolvimento do estado. Enquanto polos do interior avançam a passos largos, Cuiabá e Várzea Grande apresentam os desempenhos mais tímidos da lista. O ponto central não é o mérito inegável do interior, mas o fato de a nossa região metropolitana estar perdendo fôlego e atratividade para novos investimentos.
Por que a capital não consegue acompanhar esse ritmo? Os gargalos são conhecidos: mobilidade urbana caótica, infraestrutura defasada e uma burocracia que muitas vezes afasta o empreendedor. Mas há um fator determinante que a CDL Cuiabá tem defendido com firmeza: a necessidade de uma justiça tributária real.
Há poucos meses, levamos à Assembleia Legislativa a urgência de uma redistribuição mais equilibrada do ICMS, por meio do Índice de Participação dos Municípios (IPM). Sem recursos proporcionais à sua relevância e aos desafios que enfrenta, Cuiabá perde a capacidade de investir na base necessária para seu fomento.
Somado a isso, o debate sobre o IPTU não pode ser ignorado. Defendemos que a revisão da Planta Genérica não seja apenas um instrumento de arrecadação, mas de equilíbrio e desenvolvimento. É preciso considerar as mudanças urbanísticas: quem possui melhor infraestrutura e valorização deve contribuir proporcionalmente, enquanto preservamos o teto de gastos para o setor produtivo. Não podemos permitir que empresas percam competitividade porque seus pontos comerciais foram desvalorizados por mudanças viárias, por exemplo, como o que ocorreu após obras da Copa ou agora, com o BRT.
Cuiabá completa 307 anos em abril. É tempo mais que suficiente para amadurecer. Mas maturidade também é saber reconhecer quando se está perdendo espaço. Precisamos discutir que cidade queremos ser em 2040. Queremos continuar crescendo abaixo do potencial do estado ou estamos dispostos a colocar na mesa propostas ousadas de desburocratização e planejamento urbano integrado? Se nós, setor produtivo e cidadãos, não tomarmos a frente desse debate, o poder público sozinho não dará conta.
É hora de pensar Cuiabá com visão de longo prazo para que o orgulho de ser mato-grossense seja sentido, com a mesma intensidade, em cada rua da nossa capital.
*Júnior Macagnam é empresário do setor de moda há mais de 20 anos e presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá (CDL Cuiabá).
Opinião
Agosto Lilás, romper o silêncio é um compromisso de todos!
Todos os dias, milhares de mulheres carregam marcas que nem sempre podem ser vistas. Algumas escondem hematomas. Outras convivem com cicatrizes emocionais provocadas por humilhações, ameaças e medo. Muitas permanecem em relacionamentos abusivos porque dependem financeiramente do agressor, não encontram apoio ou perderam a esperança de recomeçar.
Nenhuma mulher deveria viver assim.
É inadmissível que Mato Grosso, um dos Estados que mais cresce economicamente no Brasil, carregue também a triste marca de figurar, pelo terceiro ano consecutivo, entre os que mais registram feminicídios. Esse contraste nos envergonha e reforça que desenvolvimento só é verdadeiro quando preserva vidas e garante dignidade.
A Lei Maria da Penha, que completa 20 anos, transformou o enfrentamento da violência doméstica ao reconhecer que esse não é um problema privado, mas uma grave violação dos direitos humanos. Porém, leis, sozinhas, não mudam a realidade. Elas precisam ser cumpridas e acompanhadas por políticas públicas eficientes.
Foi com esse propósito que apresentamos iniciativas para fortalecer a proteção às mulheres em Mato Grosso. Entre elas, o Projeto de Lei nº 107/2025, que reserva vagas de emprego em contratos públicos para mulheres em situação de violência ou vulnerabilidade social, oferecendo uma oportunidade concreta de reconstrução por meio da independência financeira.
Também são de nossa autoria a Lei nº 11.795/2022, que criou um guia permanente da rede de atendimento às vítimas, e a Lei nº 13.151/2025, que ampliou a mobilização dos homens pelo fim da violência contra a mulher e institucionalizou a campanha Laço Branco no calendário estadual. Afinal, homens de respeito respeitam as mulheres.
Como presidente da Assembleia Legislativa, também solicitei informações sobre a aplicação das mais de 60 leis estaduais já existentes de proteção às mulheres. O desafio não é apenas criar normas, mas fazer com que elas cheguem à vida de quem mais precisa.
Mas nenhuma lei será suficiente sem uma mudança de consciência. A violência nasce, muitas vezes, dentro de casa, alimentada pelo desrespeito, pelo machismo e pela intolerância. O lar deve ser um lugar de acolhimento, nunca de medo.
Neste Agosto Lilás, convido cada cidadão a fazer sua parte. Que acolhamos quem pede ajuda, denunciemos a violência e eduquemos nossas crianças para o respeito, a igualdade e a empatia.
Romper o silêncio é um ato de coragem. Estender a mão é um gesto de humanidade. Construir um Mato Grosso onde nenhuma mulher tenha medo de viver é uma missão de todos nós.
*Max Russi, deputado estadual e atual presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso
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