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Como a automação da algodoeira transforma o beneficiamento em lucro líquido

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Por Bruno De Ávila

Durante muito tempo, a força da agroindústria foi medida pelo suor e pelo esforço físico. No entanto, quem vive o dia a dia de uma safra recorde em Mato Grosso sabe que, hoje, o maior gargalo não é força, é inteligência de processo. A automação industrial chegou não para substituir o operador, mas para transformá-lo em um gestor de eficiência, vital para proteger a margem de lucro do produtor.

Diferentemente do mito de que “a máquina rouba empregos”, a automação moderna blinda a operação contra a escassez de mão de obra. Ela exige e cria profissionais mais capacitados, onde saem os executores braçais e entram os operadores técnicos e analistas de processos. Para o dono da fazenda, isso significa retenção de talentos e menos rotatividade no meio da safra.

Olhando para dentro da algodoeira, entendemos como funciona o “Piloto Automático” do Beneficiamento e percebemos que o processo de descaroçamento e prensagem é agressivo e rápido. Sendo assim, deixar a regulagem fina apenas no “olho” do operador é um risco financeiro.

Aqui entra a automação como um diferencial competitivo. Sistemas equipados com sensores de fluxo, carga e umidade atuam como um sistema nervoso central da usina. Eles tomam micro decisões a cada milissegundo: ajustam a alimentação do descaroçador para evitar embuchamento (monitorando a corrente dos motores), controlam a secagem, fluxo e temperaturas para garantir as condições mais ideiais possíveis. O resultado? Preservação das características intrínsecas da pluma (HVI) e valorização do produto final.

Em mais de 12 anos atuando especificamente em algodoeiras, noto que o grande desafio não é apenas ter máquinas modernas, mas fazer com que elas “conversem”, pois, muitas vezes, temos uma limpeza de uma marca e uma prensagem de outra, então a função da automação industrial é integrar esses mundos.

Mato Grosso, como gigante mundial do algodão, atende mercados exigentes como China, Vietnã e Turquia. Um fardo rastreável, produzido com eficiência energética e consistência de qualidade, vale mais.

Podemos afirmar que, para o cotonicultor, investir em automação não é luxo, é estratégia de sobrevivência e crescimento. Quem busca segurança nos processos, rastreabilidade real e, principalmente, dormir tranquilo sabendo que a usina está operando na capacidade máxima sem quebras inesperadas, precisa encarar a automação como o coração do seu negócio.

Bruno de Ávila é especialista em Automação Industrial, Mecatrônica e Programação PLC e especialista em Inovação para o Agronegócio

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O professor brasileiro presta contas demais e decide de menos

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Há um paradoxo instalado nas escolas brasileiras. Exigimos do docente formação cada vez mais sofisticada e, simultaneamente, reduzimos sua margem de decisão. O resultado é um profissional altamente demandado, pouco autorizado e valorizado.

Os números descrevem a dimensão do problema. No Global Teacher Status Index, levantamento da Varkey Foundation conduzido em 35 países, o Brasil aparece na última posição em valorização docente. Apenas 9% dos brasileiros acreditam que os alunos respeitam seus professores.

Os indicadores posteriores não corrigem o diagnóstico. O Relatório Global sobre Professores, da Unesco, aponta que apenas 5% dos jovens brasileiros de 15 anos manifestam interesse pela docência. Entre 2009 e 2021, a proporção de professores com menos de 24 anos caiu 42%, enquanto a de profissionais acima de 50 cresceu 109%. Não estamos diante de uma crise de percepção. Estamos diante de uma crise de sucessão.

A causa costuma ser atribuída à remuneração. A remuneração é parte do problema, mas não o explica sozinho. O que corrói a profissão, silenciosamente, é a suspeita permanente.

Em mais de uma década de imersões em sistemas educacionais estrangeiros, observei o funcionamento inverso. Na Finlândia, a formação docente exige mestrado e a seleção admite cerca de um décimo dos candidatos. Não há inspeção nacional das escolas nem avaliação formal individualizada dos professores. A arquitetura do sistema parte de um pressuposto: quem foi rigorosamente formado não precisa ser vigiado.

É tentador ler isso como permissividade. É o contrário. Aquele sistema é mais exigente que o nosso, apenas desloca o rigor para a porta de entrada, em vez de distribuí-lo em controles posteriores.

Aqui, exigimos várias camadas de prestação de contas: registros, relatórios, justificativas, protocolos de comprovação. O docente passa boa parte de sua jornada demonstrando que trabalhou, em detrimento do tempo dedicado a trabalhar.

Não defendo a ausência de accountability. Dirijo instituições e sei que indicadores, metas e transparência são inegociáveis. Defendo que ela se dirija ao projeto pedagógico, e não à competência individual de quem já foi contratado justamente por possuí-la.

Existe alternativa metodológica, e ela já está em uso. Trata-se do Barômetro de Pais, instrumento de escuta sistematizado pela consultora educacional Ayla Huovi a partir de práticas finlandesas de gestão escolar.

O funcionamento é simples e a inversão que ele provoca é profunda. As perguntas dirigidas às famílias são formuladas pelos próprios professores, e não pela direção ou pela área de comunicação. As respostas são consolidadas em um conjunto reduzido de eixos direcionadores, que passam a orientar as decisões pedagógicas do período seguinte. E o resultado retorna às famílias, acompanhado do que será feito a partir dele. A sensação que a família já foi ouvida, diminui a recorrência de intromissões ao longo do período.

A diferença em relação a uma pesquisa de satisfação convencional é a natureza e o objetivo. A pesquisa de satisfação mede a percepção sobre o serviço prestado e, quase sempre, individualiza responsabilidades. O barômetro produz diagnóstico institucional. Ele não pergunta se o professor agrada; pergunta o que a escola precisa enxergar. Quando quem conhece a sala de aula define o que investigar, a escuta deixa de ser gestão de reclamações e passa a alimentar política pedagógica.

Aplicamos o método em nossas escolas e o efeito mais nítido não recaiu sobre as famílias, mas sobre a equipe. O professor que formula a pergunta assume a autoria da resposta. Ele deixa de ser objeto do levantamento e passa a ser seu condutor.

Isso reposiciona a relação com os pais. A confiança das famílias nasce de perceber que o professor detém autoridade técnica reconhecida por seus gestores. Quando a escola trata o docente como executor, a família o trata como prestador de serviço.

Reverter esse quadro é decisão de governança, não de discurso. Passa por selecionar melhor, formar continuamente, remunerar de forma compatível e sustentar publicamente as decisões pedagógicas de quem está em sala.

*Márcia Amorim Pedr’Angelo é psicopedagqoga, fundadora das escolas Toque de Mãe e Unicus, e coordenadora da Unesco para a Educação em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul

 

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