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A riqueza de Mato Grosso também nasce das mãos dos garimpeiros

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por Max Russi*

Existe uma oração do garimpeiro que sempre me chamou a atenção. Nela, o trabalhador agradece a Deus pela profissão que recebeu e pede sabedoria para conciliar o trabalho com os desafios e tentações da caminhada. Essa mensagem traduz a essência de quem vive do garimpo, pessoas de fé, perseverança e coragem, que enfrentam diariamente as dificuldades para garantir o sustento de suas famílias.

É com esse espírito que celebramos, em 21 de julho, o Dia Nacional do Garimpeiro, instituído pela Lei nº 11.685/2008. A data representa uma oportunidade de reconhecer homens e mulheres que, com dedicação e trabalho, ajudaram a construir a história de Mato Grosso e continuam contribuindo para o desenvolvimento econômico de diversas regiões do Estado.

O garimpo faz parte da identidade mato-grossense. Muitos municípios nasceram e cresceram impulsionados pela atividade mineral, que segue sendo fonte de renda para milhares de famílias. Valorizar essa trajetória também significa olhar para o futuro e criar condições para que o setor se desenvolva de forma organizada, segura e ambientalmente responsável.

Como presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, acompanho de perto esse debate. Tive a honra de presidir a Câmara Setorial Temática da Mineração, espaço criado para reunir parlamentares, especialistas, representantes do setor produtivo, órgãos públicos e garimpeiros. O objetivo sempre foi construir soluções capazes de fortalecer a atividade, conciliando desenvolvimento econômico, segurança jurídica e responsabilidade ambiental.

Desse trabalho surgiram propostas importantes. Entre elas está a criação da Política Estadual de Geologia e Recursos Minerais, que prevê investimentos contínuos em pesquisa, tecnologia e mapeamento geológico, utilizando parte dos recursos gerados pela exploração mineral para ampliar o conhecimento sobre o potencial do Estado nos próximos quinze anos.

Também avançamos na proposta de delimitação das regiões garimpeiras tradicionais, iniciativa que busca oferecer maior segurança jurídica às comunidades que vivem da atividade e facilitar os processos de regularização, sempre em conformidade com a legislação ambiental.

Ainda há desafios a enfrentar. Mato Grosso precisa aperfeiçoar seu marco regulatório, fortalecer a fiscalização e garantir condições para que os trabalhadores possam exercer sua profissão com dignidade e respaldo legal. Esse é um compromisso que assumo diariamente, ouvir quem conhece a realidade do garimpo, transformar essas demandas em políticas públicas e contribuir para um setor mineral cada vez mais estruturado, competitivo e sustentável.

Também é fundamental reconhecer o valor das famílias que, há gerações, fazem do garimpo seu modo de vida. O conhecimento acumulado ao longo do tempo integra a história do nosso Estado e merece respeito. Essas comunidades devem ser vistas como parceiras na construção de uma mineração moderna, responsável e comprometida com o desenvolvimento de Mato Grosso.

Neste Dia do Garimpeiro, deixo minha homenagem a todos os garimpeiros e garimpeiras que, com trabalho, coragem e perseverança, ajudam a construir a riqueza do nosso Estado.

*Max Russi, deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso

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O professor brasileiro presta contas demais e decide de menos

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Há um paradoxo instalado nas escolas brasileiras. Exigimos do docente formação cada vez mais sofisticada e, simultaneamente, reduzimos sua margem de decisão. O resultado é um profissional altamente demandado, pouco autorizado e valorizado.

Os números descrevem a dimensão do problema. No Global Teacher Status Index, levantamento da Varkey Foundation conduzido em 35 países, o Brasil aparece na última posição em valorização docente. Apenas 9% dos brasileiros acreditam que os alunos respeitam seus professores.

Os indicadores posteriores não corrigem o diagnóstico. O Relatório Global sobre Professores, da Unesco, aponta que apenas 5% dos jovens brasileiros de 15 anos manifestam interesse pela docência. Entre 2009 e 2021, a proporção de professores com menos de 24 anos caiu 42%, enquanto a de profissionais acima de 50 cresceu 109%. Não estamos diante de uma crise de percepção. Estamos diante de uma crise de sucessão.

A causa costuma ser atribuída à remuneração. A remuneração é parte do problema, mas não o explica sozinho. O que corrói a profissão, silenciosamente, é a suspeita permanente.

Em mais de uma década de imersões em sistemas educacionais estrangeiros, observei o funcionamento inverso. Na Finlândia, a formação docente exige mestrado e a seleção admite cerca de um décimo dos candidatos. Não há inspeção nacional das escolas nem avaliação formal individualizada dos professores. A arquitetura do sistema parte de um pressuposto: quem foi rigorosamente formado não precisa ser vigiado.

É tentador ler isso como permissividade. É o contrário. Aquele sistema é mais exigente que o nosso, apenas desloca o rigor para a porta de entrada, em vez de distribuí-lo em controles posteriores.

Aqui, exigimos várias camadas de prestação de contas: registros, relatórios, justificativas, protocolos de comprovação. O docente passa boa parte de sua jornada demonstrando que trabalhou, em detrimento do tempo dedicado a trabalhar.

Não defendo a ausência de accountability. Dirijo instituições e sei que indicadores, metas e transparência são inegociáveis. Defendo que ela se dirija ao projeto pedagógico, e não à competência individual de quem já foi contratado justamente por possuí-la.

Existe alternativa metodológica, e ela já está em uso. Trata-se do Barômetro de Pais, instrumento de escuta sistematizado pela consultora educacional Ayla Huovi a partir de práticas finlandesas de gestão escolar.

O funcionamento é simples e a inversão que ele provoca é profunda. As perguntas dirigidas às famílias são formuladas pelos próprios professores, e não pela direção ou pela área de comunicação. As respostas são consolidadas em um conjunto reduzido de eixos direcionadores, que passam a orientar as decisões pedagógicas do período seguinte. E o resultado retorna às famílias, acompanhado do que será feito a partir dele. A sensação que a família já foi ouvida, diminui a recorrência de intromissões ao longo do período.

A diferença em relação a uma pesquisa de satisfação convencional é a natureza e o objetivo. A pesquisa de satisfação mede a percepção sobre o serviço prestado e, quase sempre, individualiza responsabilidades. O barômetro produz diagnóstico institucional. Ele não pergunta se o professor agrada; pergunta o que a escola precisa enxergar. Quando quem conhece a sala de aula define o que investigar, a escuta deixa de ser gestão de reclamações e passa a alimentar política pedagógica.

Aplicamos o método em nossas escolas e o efeito mais nítido não recaiu sobre as famílias, mas sobre a equipe. O professor que formula a pergunta assume a autoria da resposta. Ele deixa de ser objeto do levantamento e passa a ser seu condutor.

Isso reposiciona a relação com os pais. A confiança das famílias nasce de perceber que o professor detém autoridade técnica reconhecida por seus gestores. Quando a escola trata o docente como executor, a família o trata como prestador de serviço.

Reverter esse quadro é decisão de governança, não de discurso. Passa por selecionar melhor, formar continuamente, remunerar de forma compatível e sustentar publicamente as decisões pedagógicas de quem está em sala.

*Márcia Amorim Pedr’Angelo é psicopedagqoga, fundadora das escolas Toque de Mãe e Unicus, e coordenadora da Unesco para a Educação em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul

 

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