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A defesa criminal nas grandes operações: detalhes definem destinos

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As grandes operações criminais costumam ganhar espaço nas manchetes com imagens impactantes, nomes expostos e narrativas unilaterais. Para o público em geral, o caso deflagrado parece se resumir a uma investigação extensa, dezenas de alvos e acusações de grande vulto. Para a advocacia criminal, porém, esse é apenas o ponto de partida de um trabalho muito mais complexo, que se desenvolve longe dos holofotes e exige rigor técnico constante.

Atuar em grandes operações não significa apenas lidar com um volume maior de documentos. Trata-se de enfrentar uma complexidade qualitativamente distinta, marcada por inquéritos fragmentados, múltiplos núcleos investigativos e provas a serem produzidas em diferentes momentos e contextos. Frequentemente, decisões judiciais padronizadas acabam sendo aplicadas a situações profundamente diversas, o que impõe à defesa o dever de individualizar aquilo que o processo tende a tratar como homogêneo.

Nesse ambiente, o maior risco é a generalização. A lógica das grandes operações costuma trabalhar com categorias amplas, narrativas unificadas e conclusões que se pretendem válidas para todos os investigados. Em razão disso, a técnica precisa fazer exatamente o movimento inverso: separar, distinguir e contextualizar. Cada investigado ocupa uma posição própria, com atos, responsabilidades e graus de participação que não podem ser presumidos ou automaticamente equiparados.

Por isso, o trabalho da defesa se constrói no detalhe. Cada interceptação telefônica, cada relatório policial, cada decisão cautelar precisa ser analisada de forma minuciosa e individualizada. Uma busca e apreensão, por exemplo, não se esgota na existência de uma ordem judicial. É necessário examinar os limites da autorização, a forma de cumprimento da medida, a pertinência dos objetos apreendidos e a observância da cadeia de custódia. Muitas vezes, são nesses pontos, aparentemente periféricos, que se revelam fragilidades relevantes da acusação.

A atuação em grandes operações também exige uma base teórica sólida, capaz de dialogar permanentemente com a prática forense. Não basta conhecer os tipos penais ou as regras processuais de forma abstrata. É preciso compreender como a teoria da prova, as garantias constitucionais e a jurisprudência dos tribunais superiores se aplicam a investigações complexas, marcadas por medidas invasivas e por forte carga institucional.

Outro aspecto que não pode ser negligenciado é o impacto imediato dessas operações na vida dos investigados. Prisões cautelares, bloqueios patrimoniais, afastamentos de função e exposições públicas produzem efeitos concretos e, muitas vezes, irreversíveis. A defesa criminal, nesse contexto, atua também para contingenciar danos, preservar direitos fundamentais e impedir que o processo penal seja utilizado como instrumento de antecipação de pena ou para o fomento de crises empresariais e políticas.

Nada disso se compatibiliza com soluções rápidas ou padronizadas. A advocacia criminal em grandes operações é, por sua própria natureza, artesanal. Exige tempo, estudo aprofundado, leitura paciente dos autos e estratégia construída caso a caso. Não se trata de simplesmente reagir às acusações, mas de compreender o processo em sua totalidade e intervir de forma técnica, estratégica e responsável.

Em um cenário marcado por pressão midiática, expectativas sociais e simplificações narrativas, o papel da defesa criminal ganha ainda mais relevância. É ela que garante que, mesmo nos casos mais complexos e sensíveis, o processo penal continue sendo um espaço de racionalidade, legalidade e respeito às garantias individuais, e não apenas um reflexo das manchetes do dia.

Matheus Bazzi – Advogado Criminalista. Mestre em Direito pela UNISINOS/RS. Especialista em Advocacia Criminal pela ESA/MG. Professor de Direito Penal da Universidade de Cuiabá, Campus Pantanal. Presidente da Comissão de Direito Penal e Processo Penal da OAB/MT (2025-2027).

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Agosto Lilás, romper o silêncio é um compromisso de todos!

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O mês de agosto nos convida a refletir sobre uma das maiores feridas da nossa sociedade: a violência contra a mulher. O Agosto Lilás não é apenas uma campanha de conscientização. É um chamado para que todos nós deixemos a indiferença de lado e assumamos o compromisso de proteger vidas.

Todos os dias, milhares de mulheres carregam marcas que nem sempre podem ser vistas. Algumas escondem hematomas. Outras convivem com cicatrizes emocionais provocadas por humilhações, ameaças e medo. Muitas permanecem em relacionamentos abusivos porque dependem financeiramente do agressor, não encontram apoio ou perderam a esperança de recomeçar.

Nenhuma mulher deveria viver assim.

É inadmissível que Mato Grosso, um dos Estados que mais cresce economicamente no Brasil, carregue também a triste marca de figurar, pelo terceiro ano consecutivo, entre os que mais registram feminicídios. Esse contraste nos envergonha e reforça que desenvolvimento só é verdadeiro quando preserva vidas e garante dignidade.

A Lei Maria da Penha, que completa 20 anos, transformou o enfrentamento da violência doméstica ao reconhecer que esse não é um problema privado, mas uma grave violação dos direitos humanos. Porém, leis, sozinhas, não mudam a realidade. Elas precisam ser cumpridas e acompanhadas por políticas públicas eficientes.

Foi com esse propósito que apresentamos iniciativas para fortalecer a proteção às mulheres em Mato Grosso. Entre elas, o Projeto de Lei nº 107/2025, que reserva vagas de emprego em contratos públicos para mulheres em situação de violência ou vulnerabilidade social, oferecendo uma oportunidade concreta de reconstrução por meio da independência financeira.

Também são de nossa autoria a Lei nº 11.795/2022, que criou um guia permanente da rede de atendimento às vítimas, e a Lei nº 13.151/2025, que ampliou a mobilização dos homens pelo fim da violência contra a mulher e institucionalizou a campanha Laço Branco no calendário estadual. Afinal, homens de respeito respeitam as mulheres.

Como presidente da Assembleia Legislativa, também solicitei informações sobre a aplicação das mais de 60 leis estaduais já existentes de proteção às mulheres. O desafio não é apenas criar normas, mas fazer com que elas cheguem à vida de quem mais precisa.

Mas nenhuma lei será suficiente sem uma mudança de consciência. A violência nasce, muitas vezes, dentro de casa, alimentada pelo desrespeito, pelo machismo e pela intolerância. O lar deve ser um lugar de acolhimento, nunca de medo.

Neste Agosto Lilás, convido cada cidadão a fazer sua parte. Que acolhamos quem pede ajuda, denunciemos a violência e eduquemos nossas crianças para o respeito, a igualdade e a empatia.

Romper o silêncio é um ato de coragem. Estender a mão é um gesto de humanidade. Construir um Mato Grosso onde nenhuma mulher tenha medo de viver é uma missão de todos nós.

*Max Russi, deputado estadual e atual presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso

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