Mato Grosso
Procuradora do MPMT media debate sobre mulheres indígenas
Mato Grosso
A procuradora de Justiça do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e coordenadora do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (CAOVD), Elisamara Sigles Vodonós Portela, mediou o painel “Medidas Protetivas de Urgência e Especificidades em Relação a Mulheres Indígenas”, realizado durante o Ciclo de Diálogos da Lei Maria da Penha, promovido pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), na sexta-feira (14).Ao longo das apresentações, a procuradora conduziu o debate articulando os temas abordados pelas palestrantes e destacando os desafios enfrentados pelas mulheres indígenas no acesso à proteção estatal e à justiça.Na abertura do painel, a procuradora de Justiça contextualizou a discussão com dados recentes sobre a realidade dos povos indígenas no Brasil. Citando relatório divulgado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) em 2025 que registrou 258 assassinatos de indígenas no país, sendo 194 homens e 64 mulheres. O levantamento também apontou 25 casos de violência sexual, dos quais 20 foram classificados como estupro de vulnerável, além de 215 suicídios indígenas, sendo 151 homens e 64 mulheres.A procuradora chamou atenção ainda para outro dado considerado alarmante: a morte de 1.024 crianças indígenas com menos de quatro anos de idade, sendo 586 casos por causas evitáveis.”Quem for começar um trabalho com os povos indígenas vai se deparar com outras temáticas além da violência contra a mulher. Tivemos 1.024 mortes de crianças indígenas com menos de quatro anos em 2025. Mato Grosso não teve nenhuma mulher indígena assassinada, mas tivemos dois suicídios”, afirmou.Ao apresentar o tema, a procuradora de Justiça destacou que a violência contra mulheres indígenas está inserida em um contexto mais amplo de vulnerabilidades sociais. “Temos que olhar para as mulheres e para as meninas, mas também para o homem indígena; isso é crucial”, destacou.A primeira palestra foi ministrada por Daniele Moreira Brasileiro, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), que abordou a relação entre proteção territorial e proteção das mulheres indígenas, além dos impactos do racismo institucional no atendimento às vítimas.Após a exposição, a procuradora ressaltou ainda que a Resolução nº 230/2021 do CNMP recomenda que os membros do Ministério Público realizem visitas contínuas aos territórios indígenas para estabelecer diálogo com as lideranças e compreender a realidade local. “Precisamos tirar as mulheres e meninas dessa invisibilidade. Mato Grosso tem 43 etnias e mais de 40 línguas diferentes”, acrescentou.Em seguida, Jaqueline Arandurá, da Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (Anmiga), apresentou dados sobre violência contra mulheres indígenas, dificuldades de acesso às instituições públicas e o conceito de etnofeminicídio. A palestrante relatou, por exemplo, casos em que mulheres precisam percorrer longas distâncias para denunciar agressões e destacou a carência de atendimento em línguas indígenas.Segundo a procuradora, é fundamental que os estados aprimorem seus sistemas de registro para identificar corretamente as vítimas indígenas. Ela defendeu que os boletins de ocorrência contenham informações sobre autodeclaração indígena e idioma falado, além da utilização de tradutores e peritos antropológicos, conforme previsto em resoluções do Conselho Nacional de Justiça.Na terceira exposição do painel, Eliamara Terena e Niaru Patachó, representantes do Ministério dos Povos Indígenas, apresentaram iniciativas voltadas à construção de políticas públicas para mulheres e meninas indígenas, além dos desafios enfrentados pelas comunidades em razão do preconceito e da exclusão social.Ao comentar a apresentação, Elisamara lembrou a necessidade de observância das especificidades culturais dos povos indígenas na atuação do sistema de justiça e das forças de segurança. “Não é demais lembrar a Súmula 140 do STJ, que diz que é competência da Justiça Estadual situações que envolvam vítimas ou agressores indígenas”, ressaltou.A procuradora observou ainda que há resistência de órgãos estatais para atuar em algumas áreas indígenas e destacou a necessidade de respeito às tradições e práticas culturais desses povos. “São barreiras culturais que são estranhas a nós. Como você vai exigir um exame de corpo de delito em uma situação cultural que tem que ser respeitada pela Convenção 169 da OIT?”, questionou.Encerrando o painel, Elisamara Portela destacou perspectivas de avanço na proteção das mulheres indígenas, especialmente diante da tramitação do Projeto de Lei nº 4.381/2023, conhecido como Lei Guerreiras da Ancestralidade, que prevê medidas protetivas específicas para essa população.A procuradora também anunciou que o Ministério Público de Mato Grosso instituiu, em abril deste ano, um procedimento interno para realizar um diagnóstico estadual e construir fluxos de atendimento voltados às mulheres indígenas.
Fonte: Ministério Público MT – MT
Esportes
Igor Queiroz conquista o UFC BJJ Open em Fort Lauderdale
O brasileiro Igor Queiroz conquistou neste domingo o título do UFC BJJ Open
O brasileiro Igor Queiroz conquistou neste domingo o título do UFC BJJ Open, realizado em Fort Lauderdale, na Flórida. Atleta da Seleção Brasileira de Wrestling e medalhista dos Jogos Pan-Americanos de Santiago 2023, Igor entrou no torneio em um momento de adaptação da sua rotina de treinamentos e após lidar com uma lesão no joelho às vésperas da competição.
Mesmo sem chegar nas condições que considerava ideais, o brasileiro conseguiu apresentar um bom desempenho ao longo do torneio e sair campeão.
A competição reuniu atletas de alto nível e contou com a presença de nomes ligados ao UFC e ao cenário profissional do grappling. Os combates de Igor chamaram atenção principalmente pela intensidade, explosividade e pelo forte jogo de quedas, características construídas ao longo de mais de uma década dedicada ao wrestling.
“Foi uma experiência muito especial. Eu vinha ajustando minha rotina de treinamento e ainda tive uma lesão no joelho antes da competição, então existia uma preocupação sobre como meu corpo responderia. No final, consegui competir bem, impor meu jogo e sair com o título. Foi importante também sentir a reação do público e das pessoas que estavam acompanhando o evento”, afirmou Igor.
A participação no UFC BJJ Open também representa mais um passo na transição do atleta para novos desafios no grappling e nas artes marciais nos Estados Unidos. Apesar da longa trajetória internacional no wrestling, Igor vem ampliando sua atuação no jiu-jitsu e busca transformar sua experiência competitiva em oportunidades dentro do cenário profissional americano.
Natural de Cuiabá (MT), Igor Queiroz possui uma trajetória marcada por competições internacionais, incluindo o bronze nos Jogos Pan-Americanos de Santiago 2023 e o quinto lugar no Mundial Sub-23 de Wrestling de 2022.
Agora, com o título conquistado em Fort Lauderdale, o brasileiro pretende seguir competindo nos Estados Unidos e buscando espaço nos principais eventos de grappling do país.
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