Mato Grosso
Encontro Estadual marca a retomada da articulação da rede de Pontos de Cultura em MT
Mato Grosso
A abertura oficial do Encontro Estadual dos Pontos de Cultura de Mato Grosso marcou a retomada da “Teia”, nesta segunda-feira (8.12), no Sesc Pantanal, em Poconé. Promovido pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel), o evento prossegue até quarta-feira (10), com atividades que visam a articulação e fortalecimento da rede de instituições de base comunitária no Estado.
“Concentramos aqui representantes de todo o Estado que têm o mesmo objetivo, que é melhorar a vida das pessoas através da cultura. Todos nós ganhamos com essa união. A cultura é um direito e nosso papel é fortalecer essa rede de fazedores culturais nas comunidades”, destacou o secretário da Secel, David Moura.
O Encontro Estadual conta com representantes de 89 instituições ou coletivos vindos de vários municípios, como Alta Floresta, Araputanga, do Garças, Barra do Bugres, Barão de Melgaço, Cuiabá, Chapada dos Guimarães, Campo Verde, Campo Novo dos Parecis, Cáceres, Lucas do Rio Verde, Primavera do Leste, Porto dos Gaúchos, Santo Antônio de Leverger, Tangará da Serra e Várzea Grande.
A diversidade é também um dos destaques do evento. Entre os participantes há Pontos de Cultura indígenas, ribeirinhos, do movimento negro e de culturas urbanas como o hip hop, e de diversas instituições que realizam atividades de teatro, literatura, música, dança, artesanato, circo e outras.
Além das atividades de formação e de debate, a Teia Estadual define os delegados que representarão Mato Grosso na Teia Nacional, agendada para o período de 24 a 29 de março de 2026, em Aracruz (ES).
Em sintonia com o tema nacional, o evento mato-grossense promove o encontro entre cultura, meio ambiente e sustentabilidade, o que reafirma o papel dos territórios culturais como agentes de transformação social e ecológica.
“Não tem como a gente falar de cultura sem falar de meio ambiente e de combate à desigualdade. Por isso é tão importante essa representatividade aqui, de diferentes segmentos, territórios e de populações atendidas. Nós, da Secretaria de Cultura do Governo de Mato Grosso, acreditamos na potência dessa Teia”, reforçou o secretário adjunto de Cultura da Secel, Jan Moura.
Os Pontos e Pontões de Cultura
Aproximadamente 170 instituições são reconhecidas como Ponto de Cultura em Mato Grosso, desenvolvendo ações artísticas e comunitárias em seus territórios. Para ajudar a articular as ações de integração da rede mato-grossense, a Secel selecionou, por meio de chamamento público, três instituições chamadas de Pontão de Cultura.
Um dos Pontões é o Flor do Mato, de Tangará da Serra. De acordo com a diretora do coletivo, Priscila Fernandes, a Teia é o principal evento da rede de Pontos de Cultura.
“É na Teia que a gente se encontra para organizar, articular e definir as demandas da nossa rede. Aqui compartilhamos experiências, problemas e soluções, que podem ser levadas ao programa nacional de Pontos de Cultura, que é o Cultura Viva”, explica Priscila.
Fundado em 1988 e reconhecido como Ponto de Cultura em 2009, o Teatro Experimental de Alta Floresta (Teaf) também participou da última Teia mato-grossense, que foi realizada em 2016. De acordo com o representante da instituição, Ronaldo Adriano Lima, a retomada do Encontro traz expectativas positivas aos coletivos que desenvolvem ações culturais nas comunidades por todo o Estado.
“Ser reconhecido como Ponto de Cultura foi um marco na trajetória de nosso grupo. O Teaf sempre teve uma participação ativa dentro da rede estadual e entendemos a importância da realização da Teia para fortalecer o setor cultural mato-grossense”, comenta Ronaldo.
O cadastro nacional de Pontos e Pontões de Cultura foi instituído pela Política Nacional de Cultura Viva (PNCV), que é gerida pelo Ministério da Cultura (MinC). Além de promover a articulação dessas iniciativas em rede, a PNCV cria outras formas de apoio financeiro a iniciativas culturais, simplifica e desburocratiza os processos de prestação de contas e o repasse de recursos para as organizações da sociedade civil.
A coordenadora de Planejamento da Cultura Viva, Carolina Freitas, participa do evento em Mato Grosso.
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
Combate ao calor extremo – o exemplo de Medellín
Cuiabá já foi poeticamente chamada de “Cidade Verde”, marcada pela sombra generosa de suas árvores e pelo equilíbrio entre urbanização e natureza. Hoje, porém, essa imagem parece cada vez mais distante da realidade.A capital mato-grossense perdeu grande parte de sua cobertura vegetal ao longo dos anos, substituída por asfalto e concreto. A expansão urbana sem planejamento adequado levou à supressão de árvores em ruas, praças e loteamentos, contribuindo para a intensificação das chamadas ilhas de calor.Esse processo não apenas eleva as temperaturas, como também prejudica a qualidade do ar, altera o ciclo da água e reduz os espaços de convivência.Com temperaturas frequentemente acima de 40°C, a população se vê privada de áreas de lazer e convívio social, o que evidencia que o calor extremo não é apenas uma questão climática, é também um problema urbano e social.Essa desigualdade ambiental afeta principalmente as áreas mais vulneráveis, onde há menos infraestrutura e menor acesso a meios de mitigação do calor.Diante desse cenário, é fundamental reconhecer que o problema tem solução e ela já vem sendo aplicada com sucesso em outras cidades do mundo. Medellín, na Colômbia, é hoje um dos exemplos mais inspiradores.A cidade, que também enfrentava o aumento das temperaturas e os efeitos das ilhas de calor, implementou, a partir de 2016, o projeto dos “Corredores Verdes”. A iniciativa consistiu na criação de uma ampla rede de áreas arborizadas interligando ruas, avenidas, rios e espaços públicos. Foram plantadas cerca de 880 mil árvores e 2,5 milhões de plantas menores, formando mais de 30 corredores ecológicos pela cidade.Os resultados foram expressivos: a temperatura caiu em média 2°C, chegando a reduções de até 3°C em alguns pontos.Além disso, houve melhora significativa na qualidade do ar, retorno da fauna urbana e valorização dos espaços públicos, tornando-os mais agradáveis e acessíveis à população. Mais do que plantar árvores, Medellín adotou um conceito moderno de infraestrutura verde. O projeto incluiu a substituição de áreas impermeáveis por solos permeáveis, a criação de jardins verticais e a integração da vegetação ao planejamento urbano.A cidade compreendeu que árvores não são apenas elementos estéticos: são instrumentos essenciais de política pública, capazes de mitigar os efeitos das mudanças climáticas. A experiência colombiana mostra, com clareza, que o enfrentamento do calor extremo exige planejamento, continuidade e integração entre políticas urbanas e ambientais. Não se trata de ações isoladas, mas de uma estratégia estruturante, baseada na valorização da natureza como aliada no desenvolvimento urbano.Para Cuiabá, as lições são evidentes. É urgente avançar na implementação de um plano efetivo de arborização urbana, com metas claras, escolha adequada de espécies e manutenção contínua. É preciso priorizar a criação de corredores verdes, conectar áreas hoje isoladas, proteger nascentes urbanas e ampliar as áreas de sombra em espaços públicos.
* Alvaro Schiefler Fontes é promotor de Justiça no Ministério Público do Estado de Mato Grosso.
Foto: Prefeitura de Medellín.
Fonte: Ministério Público MT – MT
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