Mato Grosso
DE SUPERAÇÃO À TRANSFORMAÇÃO: PROJETO DE JIU-JITSU EMPODERA MULHERES EM CUIABÁ
Em Cuiabá, o projeto Minas da Toca tem transformado a vida de dezenas de mulheres por meio do jiu-jitsu. Criado por Camila Morim após superar um relacionamento marcado por violência doméstica, o projeto nasceu com o objetivo de oferecer um espaço seguro e acolhedor para mulheres que querem treinar e se fortalecer.
Mato Grosso
Jiu-jitsu como ferramenta de recomeço e empoderamento feminino em Cuiabá.
Por trás de cada projeto, existe uma história. E, em Cuiabá, uma delas tem transformado a vida de dezenas de mulheres através do esporte.
A trajetória de Camila Morim é marcada por superação.
O jiu-jitsu entrou em sua vida em um dos momentos mais delicados, logo após sair de um relacionamento onde sofreu violência doméstica. Foi nesse período que ela encontrou, no esporte, uma forma de recomeçar. “Eu estava me reerguendo emocionalmente e espiritualmente. Depois que aprendi a me defender, isso virou a chave totalmente na minha cabeça”, relata.
Ao lado do marido, atleta e professor de jiu-jitsu, Camila não apenas conheceu o esporte, mas também encontrou um novo propósito de vida. Hoje, ela lidera o projeto Minas da Toca, voltado exclusivamente para mulheres.
A iniciativa nasceu de forma simples, durante uma conversa dentro de um táxi, em julho de 2024. A ideia surgiu ao perceber a baixa presença feminina nos treinos e o ambiente predominantemente masculino, que muitas vezes afastava novas praticantes. “Eu ficava imaginando quantas mulheres tinham vontade de treinar, mas não se sentiam à vontade para começar”, conta. Sem hesitar, Camila e uma amiga decidiram colocar o projeto em prática. Com pouco tempo de divulgação, a primeira turma foi formada, ainda com insegurança, mas com a certeza de que estavam iniciando algo importante.
Atualmente, o grupo conta com 37 mulheres, sendo mais de 20 ativas nos treinos. Mais do que aprender técnicas de luta, as participantes encontram um espaço de acolhimento, desenvolvimento pessoal e fortalecimento emocional.
O impacto vai além do tatame.
Para muitas, o jiu-jitsu representa segurança e confiança no dia a dia. Em uma realidade marcada por casos de violência contra a mulher, aprender a se defender se torna também uma ferramenta de proteção. “É descobrir uma força que nem a própria mulher sabia que tinha”, destaca Camila.
A empresária Amanda, aluna do projeto, reforça essa transformação. Mãe e empreendedora, ela encontrou no esporte um momento de autocuidado e equilíbrio. “O jiu-jitsu mudou tudo. Hoje me sinto mais segura, mais confiante. É um momento que é meu”, afirma.
Além dos treinos, algumas alunas já participam de competições, encarando desafios dentro e fora dos tatames. Para elas, vencer o medo e a ansiedade já é uma grande conquista.
O projeto também busca incentivar novas participantes. No dia 3 de maio, será realizado um treino aberto no Parque das Águas, em Cuiabá, como forma de aproximar ainda mais mulheres do esporte. A proposta é simples, mas poderosa: criar um ambiente seguro, acolhedor e acessível para que mais mulheres possam dar o primeiro passo. Porque, como mostra a história de Camila, o jiu-jitsu pode ser muito mais do que uma luta, pode ser o início de uma nova vida.
Mato Grosso
Após feminicídio, secretária reforça importância de vítimas de violência manterem medidas protetivas
A chefe do Gabinete de Enfrentamento à Violência de Gênero contra a Mulher, Mariell Antonini, reforçou a importância das vítimas de violência doméstica confiarem na rede de proteção e manterem as medidas protetivas.
O alerta foi feito após uma mulher, identificada como Gleici Fátima Machado Ritter, de 37 anos, ser assassinada a tiros, nesta terça-feira (23.6), em Guarantã do Norte. O principal suspeito é o companheiro dela, de 33 anos. O crime está sendo investigado pela Polícia Civil como feminicídio consumado.
Ele já possuía um longo histórico de violência doméstica contra a vítima. Em novembro de 2025, após um pedido feito pela própria vítima, a medida protetiva que existia contra o investigado foi revogada e ele voltou a responder ao processo em liberdade.
“É importante que toda mulher compreenda que o rompimento do ciclo da violência nem sempre é um processo simples. Muitas vezes, existem obstáculos relacionados à dependência afetiva, dependência econômica, medo, preconceito e outros fatores que dificultam a tomada de decisão. Por isso, é fundamental buscar apoio, acreditar na rede de proteção e no sistema de Justiça”, destacou.
Segundo Mariell Antonini, a violência doméstica costuma seguir um ciclo que tende a se agravar ao longo do tempo.
“A violência é cíclica e, muitas vezes, começa com sinais que podem parecer menos graves, mas pode evoluir para situações cada vez mais letais, culminando na morte da vítima. Ameaças e agressões precisam ser compreendidas como sinais de alerta, e a busca por ajuda deve acontecer o quanto antes”, afirmou.
As primeiras denúncias contra o suspeito foram registradas em 2023, quando Gleici procurou as autoridades para relatar episódios de violência doméstica. Em 2024, novas intervenções policiais ocorreram por crimes como lesão corporal, injúria e posse irregular de arma de fogo, todos envolvendo o mesmo casal.
Já em julho de 2025, o suspeito foi preso em flagrante por lesão corporal no contexto de violência doméstica, após a vítima acionar as forças de segurança. Na ocasião, foram concedidas medidas protetivas de urgência em favor de Gleici. Meses depois, entretanto, a vítima solicitou a revogação da medida, o que resultou na liberdade do suspeito.
Fonte: Governo MT – MT
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