Cultura
Canções sobre cidades atravessam gerações e marcam os festejos juninos
Cultura
Entre as águas do Rio São Francisco e a ponte que liga duas cidades irmãs, a canção “Petrolina, Juazeiro”, composta por Jorge de Altinho e Chico Angra e lançada pelo Trio Nordestino na década de 1970, transformou duas cidades em um dos retratos mais conhecidos da música nordestina. Ao atravessar gerações, a música mostra como o forró também funciona como registro afetivo dos territórios, transformando paisagens, costumes e histórias locais em versos que seguem circulando muito além das fronteiras regionais.

Essa relação entre música e pertencimento ganhou espaço na trajetória do cantor e compositor Del Feliz, que já escreveu mais de 150 canções em homenagem a municípios brasileiros. A primeira delas foi dedicada à cidade baiana Amargosa, no Vale do Jequiriçá. Segundo o artista, a iniciativa surgiu de forma espontânea e com o passar do tempo, prefeitos, moradores e representantes de diferentes localidades passaram a solicitar composições que retratassem os municípios.
“Eu comecei a pesquisar a cidade e aí falei: ‘não, tem muita coisa boa aqui, eu vou querer juntar tudo que é relevante’. Virou uma identidade da cidade, eu acabei me tornando cidadão de Amargosa. E aí veio o ciúme de algumas cidades ali próximas, o pessoal amigo, né, obviamente que tiveram acesso, dizendo, ‘ah, mas falta nossa, não sei o quê, a de Cruz, a de Santo Antônio’. Aí eu comecei fazer, recebi também os títulos de cidadão de lá. As músicas repercutiram também igualmente, muito positivamente no coração das pessoas. Acho que todo mundo é um tanto bairrista, né?”
Outro exemplo desse movimento é Sertão de Curaçá, composta por Targino Gondim e Zé da Wilton. Lançada em 1997, a música homenageia a cidade baiana, às margens do Rio São Francisco, conhecida como Capital dos Vaqueiros. Segundo Targino, a composição nasceu da convivência com a cultura sertaneja local e também da necessidade de registrar elementos que fazem parte da identidade do município.
“Quando eu tive um encontro com Zé da Wilton, que é um apelido de Zé de Lalinha, um senhor com um sonho de de virar artista. E aí ele entrou comigo e me mostrou algumas canções, tudo e tal e tinha essa ideia dessa música Sertão do Curaçá e foi quando eu tive a ideia de compor junto com ele e aumentar algumas coisas, transformando a música em uma espécie de também de registro sobre o acontecimento com a Ararinha Azul. Na época a Ararinha Azul tinha tinha entrado em extinção, né? E aí eu resolvi compor essa música nessa época”.
No período junino, essas canções seguem percorrendo estradas, feiras e arraiais. Mais do que animar os festejos, elas transformam cidades em versos e ajudam a manter vivas histórias que atravessam gerações.
Cultura
No Rio, projeto Parque de Ideias promove homenagem a Jorge Amado
A Biblioteca Parque Estadual do Rio de Janeiro recebe, a partir desta segunda-feira (10), uma homenagem ao escritor Jorge Amado, que completaria 114 anos neste dia 10 de agosto. A programação, gratuita, faz parte do projeto Parque de Ideias e inclui palestras, oficinas e uma peça, até o fim desta semana.

Uma das principais atrações é o espetáculo “Três Irmãos”, vencedor do Prêmio Shell de dramaturgia. A peça é inspirada no livro de Jorge Amado “Seara Vermelha”, que está completando 80 anos. A obra narra a trajetória de uma família de lavradores expulsos de suas terras, obrigada a empreender uma travessia em busca de sobrevivência, e tem a Baixada Fluminense como ponto de partida. A montagem atualiza temas recorrentes da obra do escritor baiano, como fome, migração, violência política e fé popular.
Outra atração é a oficina “Escritas da Vida”, com aulas, nesta terça (11) e quarta-feira (12), sobre pesquisa e escrita biográfica, desde a apuração de fontes até decisões sobre estrutura narrativa. As aulas são ministradas por Joselia Aguiar, biógrafa do autor.
Jorge Amado
Jorge Amado foi jornalista, romancista, memorialista e deputado federal na década de 40. Ocupou a Cadeira 23 da Academia Brasileira de Letras. O autor estreou na literatura na década de 1930 e, ao longo da carreira, foi publicado em mais de 50 países, em diferentes idiomas, como alemão, chinês e francês. Seus livros foram adaptados para diversas linguagens, como cinema e televisão. O escritor faleceu em 2001, aos 89 anos.
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