Cultura
Caminhada do Forró é reconhecida como Patrimônio Imaterial do Recife
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A Caminhada do Forró, um dos principais eventos juninos do São João do Recife, celebra neste ano um reconhecimento: o evento agora é Patrimônio Cultural Imaterial da capital pernambucana.

A 21ª edição da Caminhada do Forró acontece nesta quinta-feira (11) e abre oficialmente os festejos juninos no bairro do Recife Antigo.
A programação começa às 17h, na Rua da Moeda, onde centenas de músicos, entre sanfoneiros, zabumbeiros e triangulistas, farão a concentração; e também será feita a entrega simbólica do Título para os organizadores. Por volta das 19h, a Caminhada segue seu trajeto tradicional até a Praça do Arsenal.
O palco montado na Praça receberá 13 atrações que irão ditar o ritmo desta primeira noite junina do arraial do Centro Histórico. Um dos destaque, e também representando o tema da Caminhada este ano, “Mulheres Forrozeiras”, é a Orquestra Sanfônica Feminina. O encontro de diferentes gerações de matriarcas do forró pernambucano contará ainda com a participação de 17 tocadoras de triângulos.
A expectativa é que 20 mil pessoas compareçam ao evento.
A Caminhada do Forró surgiu em 2005, fruto do desejo de alguns amantes do São João feito no interior, entre eles, os irmãos Bruno e Natália Reis, e o desejo de trazer a experiência junina para o centro histórico da capital.
O evento é organizado por meio do Acontecer Projetos Culturais, em parceria com a Prefeitura do Recife.
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Canções sobre cidades atravessam gerações e marcam os festejos juninos
Entre as águas do Rio São Francisco e a ponte que liga duas cidades irmãs, a canção “Petrolina, Juazeiro”, composta por Jorge de Altinho e Chico Angra e lançada pelo Trio Nordestino na década de 1970, transformou duas cidades em um dos retratos mais conhecidos da música nordestina. Ao atravessar gerações, a música mostra como o forró também funciona como registro afetivo dos territórios, transformando paisagens, costumes e histórias locais em versos que seguem circulando muito além das fronteiras regionais.

Essa relação entre música e pertencimento ganhou espaço na trajetória do cantor e compositor Del Feliz, que já escreveu mais de 150 canções em homenagem a municípios brasileiros. A primeira delas foi dedicada à cidade baiana Amargosa, no Vale do Jequiriçá. Segundo o artista, a iniciativa surgiu de forma espontânea e com o passar do tempo, prefeitos, moradores e representantes de diferentes localidades passaram a solicitar composições que retratassem os municípios.
“Eu comecei a pesquisar a cidade e aí falei: ‘não, tem muita coisa boa aqui, eu vou querer juntar tudo que é relevante’. Virou uma identidade da cidade, eu acabei me tornando cidadão de Amargosa. E aí veio o ciúme de algumas cidades ali próximas, o pessoal amigo, né, obviamente que tiveram acesso, dizendo, ‘ah, mas falta nossa, não sei o quê, a de Cruz, a de Santo Antônio’. Aí eu comecei fazer, recebi também os títulos de cidadão de lá. As músicas repercutiram também igualmente, muito positivamente no coração das pessoas. Acho que todo mundo é um tanto bairrista, né?”
Outro exemplo desse movimento é Sertão de Curaçá, composta por Targino Gondim e Zé da Wilton. Lançada em 1997, a música homenageia a cidade baiana, às margens do Rio São Francisco, conhecida como Capital dos Vaqueiros. Segundo Targino, a composição nasceu da convivência com a cultura sertaneja local e também da necessidade de registrar elementos que fazem parte da identidade do município.
“Quando eu tive um encontro com Zé da Wilton, que é um apelido de Zé de Lalinha, um senhor com um sonho de de virar artista. E aí ele entrou comigo e me mostrou algumas canções, tudo e tal e tinha essa ideia dessa música Sertão do Curaçá e foi quando eu tive a ideia de compor junto com ele e aumentar algumas coisas, transformando a música em uma espécie de também de registro sobre o acontecimento com a Ararinha Azul. Na época a Ararinha Azul tinha tinha entrado em extinção, né? E aí eu resolvi compor essa música nessa época”.
No período junino, essas canções seguem percorrendo estradas, feiras e arraiais. Mais do que animar os festejos, elas transformam cidades em versos e ajudam a manter vivas histórias que atravessam gerações.
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