Cultura
Bloco independente do Rio entra no combate à violência contra a mulher
Cultura
Em meio à alegria, o carnaval do Rio de Janeiro também dedica espaço à reflexão sobre temas latentes na sociedade. Entre eles, o aumento de crimes tendo como vítimas as mulheres.

A Liga Independente dos Blocos de Embalo do Estado do Rio de Janeiro (Liberj) entrou na luta contra a escalada dos números, unindo a folia com ações de conscientização.
Embalados pelo Bloco da Não Violência Contra Mulher, integrantes de diversas agremiações vão se concentrar na segunda-feira (16) de carnaval, às 18h, na Avenida Chile, no centro da capital fluminense. Estão confirmados os grupos Banda da Folia e Confraria da Bebidinha, além de componentes e ritmistas dos 20 blocos filiados à liga, que vão carregar faixas e cartazes com mensagens educativas e orientações sobre canais de denúncia dos diversos tipos de violência de gênero.
A ideia é aproveitar a festa para mobilizar a sociedade contra esse tipo de violência, que tende a aumentar durante períodos como o carnaval, conforme explica o diretor da Liberj, Édson Baiga.
“Essa luta não é só de uma entidade, é de uma sociedade, e, principalmente, dos homens que têm consciência que a mulher foi feita para ser respeitada. A mulher tem direito sobre o corpo dela. O corpo da mulher, a mulher não é uma posse do homem. E aí, dados das mortes do Ministério da Justiça [mostram] que, em 2015, foram 535 casos. Dez anos se passaram, e, em 2025, [o número] aumentou para 1.470. Significa que são quatro mulheres mortas por dia”.
Para a economista e foliã Gabriela Szprinc, a iniciativa é extremamente importante na proteção das mulheres que querem aproveitar a festa.
“O feminicídio no Brasil ainda é assustador. Ainda é um desafio [para] nós, como mulheres, estarmos num lugar, poder brincar o carnaval, poder só estar lá. Ser feliz e participar do jeito que cada uma entende que quer fazer, do jeito que quiser. Ter a liberdade e ser respeitada.”
A mensagem é clara: carnaval é festa com dignidade e respeito. Caso tenha sido vítima de violência, disque 180, que funciona 24h por dia.
* Sob supervisão de Vitória Elizabeth.
Cultura
Jornalistas indígenas lançam manual para qualificar a imprensa
Primeiro Manual de Jornalismo Indígena do Brasil chega com a proposta de transformar a forma como os povos originários são retratados
No Viva Maria desta segunda-feira (10), Mara Régia conversa com o jornalista Luan Tremembé, coordenador da Articulação Brasileira de Indígenas Jornalistas (Abrinjor), sobre o lançamento de Poranga Marandúa – Manual de Jornalismo Indígena.
Escrito de forma coletiva por jornalistas indígenas e estudantes de Jornalismo de diferentes povos e biomas brasileiros, o manual reúne orientações para uma abordagem mais ética, qualificada e livre de estereótipos sobre os povos originários.
Luan destaca a importância de garantir que os próprios povos indígenas tenham voz na construção das narrativas sobre suas histórias, culturas e lutas.
O nome Poranga Marandúa, que significa “Boas Notícias” em nheengatu, também homenageia Andreza Baré, apontada como a primeira indígena formada em Jornalismo no Brasil.

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