Várzea Grande
TCE-MT dá 30 dias para Prefeitura de Várzea Grande apresentar documentos sobre construção de escola
Várzea Grande
Alair Ribeiro/TCE-MT
O Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) determinou que a Prefeitura de Várzea Grande apresente, em 30 dias, informações sobre o andamento da obra para a construção de uma escola, incluindo um novo processo licitatório, após identificar sobrepreço no orçamento base do certame. Sob relatoria do conselheiro Antonio Joaquim, a decisão foi homologada no âmbito de tomada de contas especial julgada na sessão ordinária desta terça-feira (28).
O processo é fruto da conversão de uma representação de natureza interna que apurou irregularidades nos preços praticados no contrato 22/2020, firmado entre a Prefeitura de Várzea Grande e a empresa Cevic Construtora e Incorporadora Eireli para a construção de uma escola com dez salas de aula, com capacidade para atender até trezentos alunos. Com base nos relatórios técnicos, Antonio Joaquim identificou que o orçamento de referência apresentava itens duplicados e preços acima da média, configurando um sobrepreço no planejamento da licitação.
“A unidade técnica do TCE demonstrou a existência de diversos itens com preços unitários superavaliados e quantitativos inconsistentes no orçamento de referência utilizada para instruir a concorrência, inclusive com destaque para itens em duplicidade, circunstância que compromete a fidedignidade da planilha orçamentária e revela vício relevante no planejamento. Portanto, a existência de sobrepreço no orçamento base é suficiente para caracterizar irregularidade”, argumentou o relator.
Apesar da falha orçamentária, o Tribunal de Contas concluiu que não houve prejuízo financeiro efetivo, pois o valor total pago à empresa foi inferior aos preços de mercado. “Embora reconhecida a existência de sobrepreço no orçamento, não se comprovou na execução a ocorrência de superfaturamento, uma vez que o valor global efetivamente pago à contratada permaneceu inferior ao preço de mercado apurado pela unidade técnica”, apontou Antonio Joaquim.
A tomada de contas especial foi julgada regular com ressalvas pelos conselheiros, que determinaram à Prefeitura de Várzea Grande que informe e comprove a situação da obra, se fora feita nova licitação para a sua conclusão, com o envio de todos os documentos pertinentes.
A decisão também incluiu recomendações para que a atual gestão do Executivo Municipal adote as composições de custos e preços constantes no Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (SinapiI) para a elaboração dos orçamentos de referência das licitações de obras e serviços de engenharia do município. “Na hipótese de inviabilidade de utilização integral desse tema, apresente-se justificativa técnica circunstanciada acompanhada de pesquisa de mercado idônea, de modo a assegurar fidedignidade dos valores estimados, a transparência do processo licitatório e a mitigação de riscos de sobrepreço”, concluiu o relator.
Por fim, o Plenário decidiu pela aplicação de multa ao engenheiro civil responsável pela elaboração do projeto básico da concorrência, que resultou no contrato 22/2020, por ter apresentado orçamento base com sobrepreço. A sansão deverá ser paga com recursos próprios. Em seu voto, o relator acolheu parcialmente o voto-vista do conselheiro Guilherme Antonio Maluf.
Várzea Grande
TCE-MT instala mesa técnica para buscar solução para crise na arrecadação e no pagamento de precatórios em Várzea Grande
Tony Ribeiro/TCE-MT
O Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) instalou, nesta terça-feira (28), mesa técnica que busca soluções para o endividamento histórico da Prefeitura de Várzea Grande. Entre os encaminhamentos debatidos, três foram apontados como prioridade: a aprovação imediata da Lei de Acordo Direto de Precatórios pelo Legislativo do município, a revisão da Lei de Distribuição do ICMS e a vinculação de receitas do Departamento de Água e Esgoto (DAE) a seus precatórios.
O presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo, destacou a gravidade da situação. “Várzea Grande vive um caos e hoje a prefeita é vítima de todo um histórico de 40 anos de não pagamento de precatórios, que uma hora ia estourar no colo de alguém. A cidade hoje está inviabilizada.” Ele também defendeu a aprovação da norma pela Câmara. “Isso não tem nada a ver com o relacionamento do presidente da Câmara com a prefeita. Não é uma questão política”, completou.
A mesa técnica foi solicitada pelo conselheiro Antonio Joaquim, relator das contas do município, após o bloqueio de R$ 19 milhões determinado judicialmente em razão do não pagamento de parcelas de precatórios. “A mesa discute a questão permanente do problema do precatório. O Tribunal não tem autoridade de mudar uma decisão judicial, mas nós estamos discutindo o conjunto da obra”, salientou o conselheiro.

De acordo com Flávia, a maior parte dos precatórios é de verba alimentar, o que torna a fila um problema social além de financeiro. “Para solucionar o impasse, a Lei de Acordo Direto, que já funciona em âmbito estadual e atualmente tramita na Câmara Municipal, permite que credores interessados aceitem um desconto de até 40% para receber os valores de forma antecipada, saindo da ordem cronológica tradicional.
Dívidas do DAE
Embora a maior parte do passivo municipal tenha origem no DAE, é a Prefeitura quem arca com o pagamento, por força de decisão judicial que reconheceu sua responsabilidade subsidiária. Segundo Antonio Joaquim, isso gerou o maior gargalo financeiro da gestão, uma vez que a autarquia responde por cerca de R$ 500 milhões da dívida total de R$ 1 bilhão.
“O problema dos precatórios existe porque houve abuso no passado. Os gestores simplesmente não pagavam. No caso do DAE, o departamento não tem receita para nada, mas o Governo do Estado firmou um TAC para investir R$ 60 milhões em cem dias. Vou propor na mesa técnica que as receitas futuras geradas pelo DAE a partir desse aporte sejam obrigatoriamente vinculadas ao pagamento de seus próprios precatórios, aliviando o caixa da prefeitura”, explicou.
Impacto Fiscal e Desequilíbrio do ICMS

A prefeita ressaltou que, ao assumir a gestão, enfrentou impactos severos nas finanças a partir de 2025, representados pelo aumento do percentual constitucional sobre a receita corrente líquida para o pagamento de precatórios e pela queda no retorno do ICMS. “Para se ter uma ideia da diferença em relação à gestão passada, o ex-prefeito Kalil pagava cerca de R$ 700 mil a R$ 800 mil mensais em 2023, enquanto hoje a minha parcela fixa é de R$ 6,4 milhões”, disse.
Com relação ao desequilíbrio fiscal gerado pela legislação estadual, Sérgio Ricardo explicou que vai sugerir à Assembleia Legislativa (ALMT) e ao Governo do Estado a reavaliação dos critérios da lei. “Várzea Grande arrecada R$ 1,5 bilhão de ICMS por ano, mas só recebe R$ 400 milhões. Para onde está indo esse dinheiro e por que essa lei? É difícil tirar dinheiro de um caixa com uma prefeitura que tem dificuldade para arrecadar e levar para outro lugar.”
Ação de Alcance Nacional
Os precatórios não são um problema exclusivo de Várzea Grande. Segundo Sérgio Ricardo, pelo menos 40 municípios de Mato Grosso enfrentam uma situação delicada, com risco ou efetivação de bloqueio de contas, o que inviabiliza as administrações locais.
Para enfrentar esse cenário, o presidente anunciou que o TCE-MT fará uma articulação direta em Brasília, junto ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e ao Supremo Tribunal Federal (STF), para discutir a realidade dos precatórios do estado. Essa articulação contará com o apoio de Ulisses Rabaneda, que é membro do CNJ e presidente do Fórum Nacional de Precatórios (Fonaprec) e foi representado na abertura da mesa técnica pelo desembargador Agamenon Alcântara Moreno Júnior. A expectativa é que a atuação da mesa técnica e as soluções encontradas sirvam de referência para todo o país.
“O Tribunal de Contas vai entrar de forma maiúscula como sempre tem entrado, nós vamos às últimas instâncias para resolver a questão dos precatórios do Brasil e, talvez, mais uma vez o Tribunal de Contas de Mato Grosso vai dar o pontapé para ser referência a todos os tribunais e seguido por toda administração pública”, pontuou.
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