Cuiabá
Exposição “Pantanal em Mim” reúne arte, memória e reflexão ambiental em Cuiabá
Cuiabá
O Museu do Morro da Caixa D’Água Velha, em Cuiabá, recebeu neste sábado (8) a abertura da exposição “Pantanal em Mim”, da artista plástica e educadora Adaiele Almeida. A mostra reúne 20 obras inspiradas no Pantanal e segue aberta à visitação até 10 de setembro. A programação de abertura ocorreu das 8h às 17h e reuniu, no espaço histórico, aula de yôga, feira de artesanato e gastronomia.
Natural de Cáceres e criada às margens do Rio Paraguai, Adaiele levou para as telas referências da infância ligada ao rio e a uma família de pescadores. Segundo a artista, praticamente todas as obras guardam lembranças desse período. “Meus pais trabalhavam no Rio Paraguai, então eu sempre estava ali percorrendo juntamente com eles na pesca. Cada obra fala um pouquinho dessa memória”, contou. Sobre a recepção do público, acrescentou: “Muitas pessoas se sentiram conectadas com as obras porque falam um pouquinho da nossa raiz, da nossa essência, carregam um pouco da nossa história”.
A mostra também representa uma nova etapa na trajetória de Adaiele, que já participou de exposições coletivas e realiza agora sua primeira individual. A exposição foi aberta inicialmente em Cáceres antes de chegar à capital. “Eu fiz a primeira abertura em Cáceres, que é o lugar onde eu nasci, não poderia ser diferente, e aí a trouxe para cá para expandir um pouquinho mais para a nossa capital também, para conhecerem os artistas do interior e a arte que está sendo produzida por lá”, afirmou a artista.
Com curadoria de Dayana Trindade, as 20 obras são organizadas a partir da relação afetiva da artista com o território pantaneiro, articulando natureza, memórias de infância e elementos do imaginário. Questões ambientais também aparecem nas pinturas por meio de referências à fumaça e ao lixo. “A escolha da Adaiele para se comunicar é de uma forma lúdica e poética. No entanto, não deixamos de falar e promover aquilo que sentimos”, explicou a curadora. Segundo Dayana, a proposta pode ser entendida como uma “denúncia poética”, que busca provocar reflexão sobre a preservação ambiental sem recorrer a uma abordagem agressiva.
A dimensão ambiental da mostra também foi percebida pelos visitantes. O policial militar David Winkle destacou o contraste entre a representação da beleza pantaneira e temas como queimadas e poluição. “Conseguimos perceber a beleza contrastada com uma crítica muito bem exposta pela artista”, disse. Para ele, as pinturas trazem “uma reflexão muito contemporânea” sobre as queimadas, a poluição e a forma como o Pantanal tem sido afetado. Já a assistente de auditoria Endy Ariel Santos Matos chamou a atenção para as expressões humanas retratadas nas obras e destacou a importância de ampliar a divulgação de atividades culturais para a própria população de Cuiabá.
Entre as ações da abertura esteve uma aula de yôga conduzida pela professora Marielly Camargo, que relacionou a prática ao ambiente histórico e à temática da exposição. “A ideia é promover o momento de presença. O yoga traz essa consciência do agora, da respiração, deixando a pessoa com mais sensibilidade e um olhar mais atento à exposição”, explicou. O arquiteto e urbanista Rodolfo Rosa Alvarenga, que participou da atividade, relatou percepção semelhante. “Como a gente já entrou num clima de prestar atenção, de olhar para dentro, acho que aflora alguns sentimentos a mais”, afirmou. Segundo ele, a experiência também o levou a observar com mais atenção o museu e registros antigos de Cuiabá.
A programação abriu ainda espaço para pequenos produtores, com comercialização de artesanato e alimentos. A feirante Ingrid Suellen levou produtos da culinária local com o objetivo de “trazer os produtos cuiabanos, como o salgado e o bolo tradicional, para as pessoas conhecerem o nosso tempero”. A artesã Cristina Oliveira do Nascimento apresentou sabonetes artesanais, fitoterápicos e kits comemorativos. Para ela, participar da feira representa uma oportunidade de “lucrar, vender e tornar o meu produto conhecido”. Apesar da avaliação positiva sobre a iniciativa, as duas consideraram o movimento inicial tímido e apontaram a necessidade de ampliar a divulgação para fortalecer futuras edições.
Para a secretária municipal adjunta de Turismo, Roseli Nonato Silva, integrar cultura, gastronomia e outras atividades é uma estratégia para aproximar os moradores dos espaços históricos da capital. “A nossa intenção, enquanto Secretaria de Turismo e Prefeitura, é fazer com que o cuiabano venha conhecer esse espaço que é dele”, afirmou. “Queremos, através dos nossos aparelhos turísticos, fomentar o turismo e potencializar esses locais para que as pessoas venham conhecer o potencial que Cuiabá tem”, completou. O Museu do Morro da Caixa D’Água Velha funciona de segunda a domingo, inclusive no horário de almoço, e permanece aberto nos fins de semana até as 17h30.
Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT
Cuiabá
Cavalgada e procissão de caminhoneiros marcam último dia do Mato Grosso AgroFestival
A tradição mato-grossense tomou conta da manhã deste domingo (9), último dia do Mato Grosso AgroFestival, com a realização da Cavalgada e da Procissão dos Caminhoneiros, por meio da Prefeitura de Cuiabá.
As atividades reuniram cavaleiros, amazonas, caminhoneiros e comitivas no Parque Novo Mato Grosso, em uma programação que também incluiu a bênção dos veículos e dos participantes e missa campal em homenagem a São Cristóvão.
A primeira Cavalgada do AgroFestival reuniu cerca de 300 cavaleiros e amazonas, com participação de mais de 20 comitivas de diferentes municípios de Mato Grosso. A atividade integrou a programação dedicada às tradições do estado e abriu a manhã de celebrações no festival.
O secretário municipal de Cultura, Johnny Everson, destacou a adesão à primeira edição da cavalgada, organizada em menos de 15 dias.
“Tivemos aproximadamente 300 cavaleiros e amazonas. Se tivéssemos seis meses para mobilização, certamente teríamos um número ainda maior. A cavalgada representa a cultura de Mato Grosso e a identidade de Cuiabá”, disse.
Entre os participantes estava Romeno Netto Duarte Gomes, operador de máquinas agrícolas e integrante da comitiva Boiadeiros de Magalhães. Para ele, as cavalgadas também são uma oportunidade de reencontrar amigos e manter a tradição.
“A expectativa é encontrar os amigos, prosear e aproveitar a cavalgada”, contou.
Cristiano Matos, integrante da comitiva Fazenda Santa Catarina, de Santo Antônio de Leverger, participou com outros cinco integrantes do grupo. Segundo ele, a tradição e as amizades construídas nos encontros motivam a participação.
“A gente vem construindo amizades ao longo das cavalgadas. É uma tradição que também mostramos para a turma mais nova. Por isso, seguimos participando”, pontuou.
Procissão Motorizada
Além disso, mais de 400 caminhões, acompanhados por motociclistas em uma motociata, participaram de uma grande carreata até o Parque Novo Mato Grosso, onde se juntaram ao público do AgroFestival.
O tradicional buzinaço marcou a chegada dos trabalhadores do transporte ao evento, em um momento de fé, gratidão e celebração da categoria.
A programação contou com a tradicional bênção dos motoristas, uma manifestação de fé realizada há muitos anos e que reúne profissionais das estradas em homenagem a São Cristóvão, considerado pela tradição católica o padroeiro dos motoristas e viajantes.
A celebração religiosa foi conduzida por Dom Vidal, da Diocese de Diamantino, e marcou também a primeira missa realizada no Parque Novo Mato Grosso.
Entre os participantes estava o motorista Lucas Galvão, que atua há 15 anos no setor. Para ele, o trabalho dos caminhoneiros é essencial para o funcionamento da sociedade e da economia
“Sem os caminhoneiros não se movimenta nada. Tudo depende de nós. Movimentamos uma engrenagem que alimenta a vida no campo e na cidade, a economia e o mundo dos negócios”, destacou.
Lucas também destacou a importância do resgate de uma tradição que, segundo ele, marcou sua infância.
“A Prefeitura de Cuiabá, juntamente com o Governo do Estado, resgatou uma cultura que estava perdida há muito tempo. Quando era moleque, criança, cheguei a participar de vários eventos assim, não nessa magnitude. E hoje, resgatando aqui como profissional, é perfeitamente gratificante”, afirmou.
Apesar do orgulho pela profissão, quem vive na estrada também enfrenta os desafios da distância. Para o motorista Célio José, a saudade da família, dos amigos e de casa é um dos principais pesos da rotina.
“Para quem vive na estrada, o que pesa é a saudade. Da família, dos amigos, da casa”, frisou.
A programação também contou com a participação de veículos antigos. O empresário Dário Tavares destacou a parceria para integrar a exposição ao evento e ampliar as atrações oferecidas ao público.
“Unimos forças para agregar com a exibição dos carros antigos, para dar mais um glamour para a festa, que já é linda. E hoje, aqui, nessa grande carreata dos caminhoneiros, estamos participando com muito orgulho”, afirmou.
A bênção dos motoristas reforça uma tradição de fé e devoção que atravessa gerações e valoriza o trabalho daqueles que mantêm o abastecimento e a circulação de produtos essenciais entre o campo, as cidades e diferentes regiões do país.
Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT
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