Cultura
Fanfarras são tradição em desfiles em memória da Independência Baiana
Cultura
No 2 de Julho, as ruas do centro histórico de Salvador não celebram apenas a história. Elas ganham ritmo. Entre os personagens mais marcantes dessa engrenagem cultural estão as fanfarras escolares, que desfilam todos os anos, arrastando multidões e mantendo viva a memória da Independência Baiana.

Sob a liderança de Valteir Menezes, a Banda Marcial da Escola Municipal da Palestina (Bamup) reúne há 15 anos cerca de 60 jovens e veteranos da comunidade em uma rotina rigorosa que lhes rendeu o bicampeonato baiano. O regente, à frente da banda há mais de uma década, fala como surgiu a queridinha do bairro.
“A Bamup nasceu no dia 16 de abril de 2011 na própria sede aqui da Escola Municipal da Palestina. E ela nasceu não como fanfarra da rede, e sim como projeto Mais Educação na época. Um ano depois de ela ter surgido, eu fui convidado pela coordenação da SMED para a banda deixar de fazer parte do projeto Mais Educação para fazer parte das fanfarras da rede municipal. Foi quando recebemos o instrumental em 2012, todo instrumental dela de fanfarra, e daí em diante a gente passou a fazer parte de todos os desfiles cívicos do 2 de Julho de lá até aqui. Nessa trajetória de 15 anos, a fanfarra foi consagrada bicampeã baiana no campeonato que ela disputa desde de 2013. E em 2020, quando acabou a pandemia, nós nos tornamos banda marcial e retornamos as atividades em 2022. Em 2023, a banda foi para a sua primeira disputa como banda marcial e ela foi campeã. Em 2024 também fomos campeões baianos de novo como banda marcial.”
A alguns quilômetros da Palestina, a Famtesa, Fanfarra da Escola Municipal Teodoro Sampaio, em Pirajá, é quem comanda o tom. Mr. Ball, maestro da fanfarra há mais de 25 anos, defende que o projeto, além de ser uma maneira de mostrar que nas comunidades existem muitos jovens talentosos, também é uma ferramenta de transformação social para a juventude local.
“Eu vejo a fanfarra na vida desses jovens na escola de bastante produção. Porque a fanfarra na escola, aqui, por exemplo, ajudou muito a disciplina dos alunos, o interesse deles com estudo. Eles se dedicaram mais aos estudos, diminuiu muito a evasão desses meninos na escola. E o mais importante, ajudou muito com que o tráfico não venha recrutar eles; a música num todo contribuiu muito com isso, pode ter certeza.”
Para além do civismo, o movimento das fanfarras em Salvador cumpre um papel social indispensável nas periferias e escolas públicas, funcionando como refúgio criativo e uma vitrine de talentos durante o ano inteiro.
Cultura
Quinta edição do SP Food Film Fest começa nesta quinta em São Paulo
Em São Paulo, começa nesta quinta-feira (1º) a quinta edição do “SP Food Film Fest”, que reúne programação gratuita com mais de 40 filmes, entre documentários e ficção. O evento convida o público a provar pratos e bebidas inspirados nas histórias depois de cada sessão.

A combinação filme e pipoca já é um clássico, mas o cinema pode abrir o paladar para outros sabores. É o que propõe o “SP Food Film Fest”, que traz produções inéditas como “A História de Aisha”, sobre a importância da moagem de grãos na culinária palestina. Um dos diretores do festival, André Graziano, comenta essa relação entre os filmes e a gastronomia:
“’A história de Aisha’ é um documentário que mostra um casal de palestinos que vive em um campo de refugiados, e eles têm um moinho, e a importância desse moinho para a população que vive nesse campo de refugiados. Depois da sessão, a gente vai ter uma degustação de pasta de berinjela defumada com pão sírio. E a preocupação do festival é sempre essa. Os filmes inspiram a gente a criar também pratos que se conectam.”
Até o dia 14 de outubro, o público pode assistir a mais de 40 filmes em espaços como o Reserva Cultural, o Centro Cultural São Paulo, a Biblioteca Roberto Santos e dois CEUs, centros educacionais unificados.
Programação
A programação conta com longas que estão completando datas marcantes: como “Dona Flor e seus dois maridos”, baseado no livro de Jorge Amado e dirigido por Bruno Barreto, lançado há 50 anos; a animação “A viagem de Chihiro”, que completa 25 anos e tem referências da culinária japonesa; e “Matilda”, lançado há 30 anos, que trouxe uma cena famosa com um bolo de chocolate. Além das exibições, o evento oferece aulas e debates.
André Graziano destaca que o evento vai tratar também de temas como a fome, agrotóxicos e produção alimentar.
“A comida não vem em sacolas nem em pacotes plásticos; vem da mão do agricultor trabalhando todo dia na terra. Em momentos como a gente está vivendo hoje, de crises climáticas, é muito importante a gente pensar como isso afeta o nosso dia a dia. Vamos exibir este ano o filme ‘Renascer da Terra’, que conta uma nova maneira de produzir alimento: a agricultura regenerativa, que afeta muito menos o solo e, principalmente, o meio ambiente.”
Os ingressos são gratuitos e podem ser retirados nas bilheterias uma hora antes de cada sessão, limitados a um por pessoa. As informações completas do festival estão no site spfoodfilmfest.art.br. Parte da programação também fica disponível online, de graça, pelo aplicativo gratuito “SP CINEPLAY”.
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