Saúde
Saúde lança plano para enfrentar El Niño e mudanças climáticas
Saúde
O Ministério da Saúde anunciou nesta terça-feira (3) uma série de medidas com o objetivo de preparar o Sistema Único de Saúde (SUS) para os efeitos do El Niño e os impactos das mudanças climáticas na saúde.

O plano prevê investimentos de R$ 9,8 bilhões para aumentar a capacidade de preparação e resposta da saúde pública a eventos climáticos extremos, incluindo 27 metas e 93 ações com planejamento até 2035.
A proposta inclui antecipar riscos climáticos e emitir alertas; preparar serviços de saúde resilientes; proteger a população, sobretudo em regiões mais vulneráveis; e fortalecer a capacidade do SUS de responder e reconstruir territórios afetados.
O programa tem como base cinco frentes com o objetivo de antecipar riscos e responder de forma mais rápida:
- coordenação (sala de situação, articulação com estados, municípios e Defesa Civil);
- fortalecimento da capacidade de saúde (equipes mobilizadas e reforço a territórios isolados);
- comunicação (orientações claras para gestores, profissionais de saúde e população);
- vigilância e alertas (monitoramento de riscos climáticos, sanitários e epidemiológicos); e
- reforço de insumos (medicamentos, vacinas, água segura e estrutura para resposta rápida).
O plano também prevê a implantação de oito Centros Integrados de Saúde e Clima, distribuídos nas cinco regiões brasileiras. O primeiro deles, de acordo com a pasta, será inaugurado na quarta-feira (1º) na Bahia.
Excesso de calor
Outra ferramenta prevista é o Painel Nacional de Excesso de Calor, desenvolvido com o objetivo de apoiar ações de vigilância, prevenção e resposta aos riscos associados ao calor extremo, incluindo um sistema de alerta precoce com até cinco dias de antecedência.
As ações incluem ainda a expansão da Força Nacional do SUS para oito bases nas cinco regiões do país, permitindo resposta mais rápida às emergências, apoio em eventos de massa e situações de desastre e estruturação da capacidade local de pronta resposta.
De acordo com a pasta, a ideia é que as equipes tenham capacidade de atender a qualquer tipo de emergência em até 12 horas, além de iniciar ações compatíveis com a complexidade do desastre em questão em até 72 horas.
O ministério também trabalha com um protocolo específico sobre calor para idosos, com orientações que incluem:
- oferecer água mesmo sem sede;
- evitar exposição ao sol durante os horários mais quentes;
- manter a casa ventilada, fresca e arejada;
- conferir se medicamentos de uso contínuo estão sendo tomados corretamente;
- usar soro fisiológico em caso de ressecamentos dos olhos ou das narinas.
Em coletiva de imprensa, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, lembrou que a pasta considera a crise climática como uma crise de saúde pública.
“A crise na saúde pública decorrente das mudanças climáticas é, talvez, uma das faces mais dolorosas e mais evidentes para a população dos impactos das mudanças climáticas”.
Ele destacou que um estudo recente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) contabilizou 120 mil mortes ao longo dos últimos 20 anos diretamente relacionadas ao aumento da temperatura média em várias regiões do país.
“A mitigação é muito importante, o esforço para reduzir emissões de carbono que impactam as mudanças climáticas é muito importante e necessário, mas a adaptação dos sistemas de saúde é algo urgente”, concluiu Padilha.
Saúde
Rede de vigilância é essencial para evitar propagação de sarampo em SP
A concentração de casos de sarampo em São Paulo expõe o risco de novos surtos enquanto a cobertura vacinal permanecer abaixo de 95%, índice considerado necessário para interromper a transmissão da doença. Segundo o infectologista Renato Kfouri, a entrada de novos casos é esperada na capital paulista, que recebe diariamente pessoas de diferentes partes do mundo. 

“O ciclo de incubação e transmissão da doença é de cerca de 20 dias. São 10 dias de incubação até os primeiros sintomas, dois dias de transmissão antes da febre e mais 12 dias após o início da febre”, explicou à Agência Brasil.
Kfouri é vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações e presidente da Câmara Técnica para a Eliminação do Sarampo do Ministério da Saúde.
Segundo ele, uma pessoa completamente imunizada não se torna um transmissor, mas para aqueles que não estão com o ciclo completo o risco é real e está ligado à dinâmica de transmissão. O vírus do sarampo viaja em gotículas de saliva, que saem na fala ou no espirro. A imunização é suficiente para evitar essa transmissão quando atinge 95% da população. Na capital paulista ela está em torno de 75%.
“Para manter o país livre do sarampo, temos dois pilares: a vacinação e a vigilância. Na vigilância temos de estar atentos, fazer o isolamento e a vacinação dos contatos. Não é algo simples pois São Paulo é um hub, uma cidade onde há eventos internacionais diários. A entrada de sarampo vai ocorrer, e por isso precisamos voltar a manter altos índices vacinais altos para evitar a transmissão de casos, mas também mantê-la homogênea”, continua Kfouri.
Para ele, a importância da homogeneidade não pode ser subestimada. Um bairro ou comunidade com índices baixos se torna um bolsão vulnerável e um local à espera de novos surtos. A estratégia de reforço vacinal indiscriminado é eficaz, pois atinge quem eventualmente não recebeu alguma das doses, além dos poucos em que a imunização não foi efetiva, pois toda vacina tem uma margem de pessoas que não é efetivamente protegida com o ciclo normal.
Para o sarampo essa margem é estimada em 5%, afirma o infectologista, mas se aproxima de zero quando é aplicadas uma terceira dose. Identificar essas exceções em uma população é inviável, pelo tempo e custos, mas a dose de reforço resolve o problema a um custo baixo, complementa.
Casos confirmados
Na Grande São Paulo, onde se concentraram 23 dos 24 casos confirmados nesta temporada, houve casos importados e uma ocorrência importante de cadeia de transmissão, com casos novos surgindo dentro de um grupo ou comunidade. Na zona norte da capital isso levou a sete casos na Vila Medeiros e dois na Vila Maria, bairros próximos entre si, tendo como principal cenário uma escola de educação infantil.
Ao menos um dos dois casos de Guarulhos também está relacionado a esse grupo. As crianças com menos de um ano não recebem imunização para o sarampo e são a maior parte dos infectados e hospitalizados.
Há possibilidade de esses casos serem relacionados a algum dos casos importados confirmados pela prefeitura da capital, que confirmou que um caso veio da Bolívia, em fevereiro, e outro da Guatemala, em março. A transmissão, segundo Kfouri, se dá apenas entre aqueles que não estão imunizados, geralmente por não terem tomado uma ou ambas as doses da vacina.
“Infelizmente é esperado. Chegam todo dia ao país milhares de pessoas, a trabalho ou a turismo, além dos brasileiros que estiveram no exterior recentemente. Como nossos vizinhos tem sofrido com surtos recentes isso vai nos influenciar”, definiu Kfouri.
A dinâmica é a mesma do ano passado, quando o país teve 39 casos notificados, a maioria relacionados a casos importados da Bolívia, que chegaram através de caminhoneiros. Os estados mais atingidos foram o Mato Grosso do Sul e o Tocantins.
Segundo Kfouri, as equipes de saúde estão treinadas para reconhecer os sintomas, os testes estão disponíveis na rede e as ações de vigilância têm ocorrido em tempo adequado.
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