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Projeto apoia mães e crianças atípicas tratadas à base de cannabis

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Na ilha de Fernando de Noronha, a professora Rayane Dixie dos Santos, de 31 anos, vivia uma situação complicada com seu filho neurodivergente.

A mãe solo de uma criança com o Transtorno do Espectro Autista (TEA) de suporte 2 e com o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), lidava com intensas crises de agitação e agressividade de seu filho.

Além do cuidado com a criança atípica, Rayane precisava dividir sua atenção com o outro filho e o emprego. Com tamanha demanda, a professora logo percebeu que estava adoecendo:

“Eu sou a única que cuida dele. A rotina pesada de mãe atípica me levou a um quadro de ansiedade generalizada e problemas com sono”, contou Rayane.

Há cerca de três meses, em março, o filho de Rayane iniciou um tratamento à base de canabidiol (CBD) – composto natural extraído da cannabis – e apresentou mudanças positivas de comportamento, com a diminuição das crises.

O tratamento com canabidiol foi viabilizado pelo Projeto Noronha, uma iniciativa conjunta entre a Associação Brasileira de Estudos dos Canabinóides (Abecmed), a Associação de Mães Atípicas de Fernando de Noronha (AMA-FN) e a Administração Distrital da ilha.

 


08/05/2026 - Visitação recorde em unidades de conservação injeta R$ 20 bilhões no PIB e gera mais de 332 mil empregos. Parque Nacional de Marinho Fernando de Noronha. Foto: Marcelo Krause/ ICMBio

08/05/2026 – O tratamento com canabidiol foi viabilizado pelo Projeto Noronha, uma iniciativa conjunta entre a Abecmed, AMA-FN) e a Administração Distrital da ilha. Foto: Marcelo Krause/ ICMBio – Marcelo Krause/ ICMBio

Em fevereiro e maio deste ano, o projeto realizou dois mutirões, com o objetivo de promover uma opção de tratamento integrativo e gerar conhecimento sobre o tema. O movimento realizou, de forma gratuita, 126 consultas médicas e distribuiu 221 óleos de canabidiol.

Agora, a iniciativa viabiliza a construção de uma futura sede em um terreno cedido pela Administração da ilha. Com o novo espaço, as famílias neuroatípicas poderão receber acompanhamento, orientação e acolhimento de maneira integral.

“A maior parte dos mutirões de saúde realizados no Brasil acontece uma única vez. A equipe atende a população e depois vai embora. Em Noronha, estamos construindo algo diferente. Já voltamos à ilha uma segunda vez, retornaremos a cada três meses e agora estamos ajudando a estruturar uma rede permanente de suporte para essas famílias”, afirma Alexandre Assis, diretor da Abecmed.

Outro aspecto do projeto é a atenção para as mães das crianças atípicas, que constantemente são as únicas que desempenham o papel de cuidado integral dos filhos.

Ladislau Porto, um dos idealizadores da iniciativa, diz que o projeto pensou também no atendimento às mulheres com filhos atípicos: “Quando a criança está em crise, ela tem a mãe. Quando a mãe está em crise, ela não tem ninguém”. Em razão disso, o programa oferece atendimento e acompanhamento às mulheres.

Uma das mães atendidas pelo programa é Rebeca Allen, presidente da associação de mães do arquipélago. Rebeca tem um filho de sete anos com TDAH e Transtorno do Processamento Sensorial. Ela desenvolveu depressão e Transtorno de Ansiedade Generalizada por causa da sobrecarga do cuidado maternal.

“Eu comecei a sentir os sinais em torno de 2023, quando estava em busca de ajuda para o meu filho. Comecei a esquecer das coisas, ter falta de ar e pontadas no coração. Mas eu pensava ‘meu Deus, eu sou o contato de emergência do meu filho, eu preciso me cuidar’”.

Ela foi atrás de atendimento médico e começou a tomar remédios para dormir, porém os sintomas não melhoraram. Com a introdução do canabidiol, em fevereiro deste ano, Rebeca notou melhora no controle da ansiedade e na qualidade do sono, com mais foco e organizada.

O filho de Rebeca também começou um tratamento com o CBD em fevereiro. Ela notou que ele apresentou redução significativa na agressividade e maior colaboração na terapia e na escola.

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Um problema de saúde pública

A iniciativa apoia-se numa grande questão estrutural e geográfica do distrito de Fernando de Noronha, que dificulta o acesso à saúde pública. A ilha tem apenas uma unidade médica de atendimento público, o Hospital São Lucas, que presta serviços de média complexidade. Para casos complexos, o atendimento é realizado em redes complementares, localizadas no continente.

Para os moradores de Noronha, as viagens para atendimentos médicos complexos podem ser bem cansativas, visto que a distância da ilha para Recife, principal polo de apoio médico para os ilhéus, é de 545 quilômetros.

Além disso, o isolamento dos habitantes do arquipélago tem causado problemas psicológicos, com altos índices de depressão, ansiedade, insônia, além de questões neurológicas.

O relatório de impacto do segundo mutirão realizado pela Abecmed, em maio, sugere que a população tem demandas persistentes para atendimentos psicológicos. A organização atendeu 58 pacientes que relataram sérias questões deste tipo.

A distribuição de diagnósticos e sintomas mostra que 70,6% dos pacientes buscaram atendimento médico para questões ligadas à saúde mental. Em seguida, aparecem neurodivergências (41,3%), dor crônica e osteomuscular (29,6%), sono (32%) e condições neurológicas (6,8¨%). Um mesmo paciente pode apresentar um ou mais diagnósticos e sintomas simultaneamente.

 


Brasília (DF) - Caminhos da Reportagem -

Brasília (DF) -Extrato de Cannabis é utilizado para dores físicas e mentais. – Imagem: TV Brasil – TV Brasil

Os sintomas mais relatados foram ansiedade (25), insônia (16), dor crônica (11), alterações de humor (3), crises de pânico (3), bruxismo (3) e dificuldades de concentração (2).

Sobre questões ligadas ao neurodesenvolvimento, os principais diagnósticos eram de TEA (10), TDAH (10), Transtorno Opositor Desafiador – TOD (2) e casos em investigação para TEA/TDAH (2).

A partir das intervenções na saúde pública da ilha, a organização sem fins lucrativos busca estudar o impacto social e econômico da ação. “Estamos coletando dados e iremos levar mais pesquisadores [para o arquipélago], com o intuito de gerar pesquisas na área”, disse Alexandre Assis.

Tratamento via canabidiol

O interesse no uso medicinal da cannabis cresceu na última década. Desde 2012, pesquisadores têm observado o potencial do extrato da canabis para tratamentos neurológicos e psicológicos.

“Os canabinoides são potentes anti-inflamatórios. Ele tem um efeito antioxidante que é importante em várias condições neurológicas, como epilepsia, esquizofrenia e depressão”, explicou o neurologista e voluntário do Projeto Noronha, Eduardo de Sá Faveret.

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No caso de pessoas com TEA, o canabidiol ajuda a controlar agressividade, insônia e agitação. Muitas pessoas com autismo sofrem com a sobrecarga sensorial porque o sistema endocanabinoide delas – responsável pela filtração de ruídos, luzes, cheiros e toque, além de fundamental para dormir, relaxar, comer e esquecer – é reduzido.

“O sistema endocanabinoide regula diversas funções do nosso corpo, buscando manter o equilíbrio ou a recuperação de situações de estresse físico ou emocional. Essa regulação envolve diversos receptores que são chamados de transientes. O canabidiol atua ativando e esgotando os receptores transientes. Na prática, isso reduz essa hipersensibilidade”, disse o neurologista.

Um diferencial do tratamento com canabidiol em relação a outros medicamentos aprovados, como a Risperidona e o Aripiprazol, é de que o CBD não deixa o paciente sedado ou dopado, como aponta o psiquiatra e voluntário Wilson Lessa Junior.

“A dose [de outros medicamentos] que deixa muito sedado acaba tendo impacto no tratamento ‘ouro’ para o espectro autista, que é o tratamento multidisciplinar, com terapia ocupacional, fono, psicólogo etc. A criança, para poder ter proveito dessa terapia, precisa estar acordada. O canabidiol acaba tendo essa coisa de diminuir a agressividade, mas sem dar sono, e a pessoa permanece ativa”, explicou Wilson.

*Estagiário da Agência Brasil sob supervisão de Odair Braz Junior

Fonte: EBC Saúde

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Queixas sexuais na menopausa têm tratamento, diz especialista

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Queixas como secura vaginal, dor durante a relação e perda do desejo sexual não devem ser encaradas como consequências naturais do envelhecimento nem ignoradas nas consultas médicas. Segundo a ginecologista Jussimara Souza Steglich, da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), a saúde sexual deve fazer parte do cuidado com a mulher em todas as fases da vida, inclusive após a menopausa.

“A sexualidade não morre. Ela pode ficar obscurecida por algum fator que não deixa a mulher viver a sua sexualidade”, explica a médica, que é membro da Comissão Nacional Especializada em Sexologia Febrasgo.

A especialista acrescenta que é um erro o profissional deduzir que a paciente não tem vida sexual. “Muitas vezes, o ginecologista não pergunta sobre saúde sexual, ignorando as queixas, porque é uma paciente que já está em idade mais avançada e acha que não tem sexo”.

Além disso, as mulheres têm vergonha de falar sobre o assunto. “As pessoas acham o sexo uma coisa muito proibida. Mas, ao contrário, tem que ser natural e conversada com o seu médico e, também com quem está com você”, aconselhou a médica da Febrasgo.

De acordo com a médica, as mulheres têm de ter uma abordagem mental diferente, à qual se somam atividade física, boa alimentação. “Porque é um combo que vem com a menopausa. Há também a questão dos hormônios que podem ser usados, com orientação do médico”.

Doenças atreladas


 A saúde da mulher deve abranger também a saúde sexual, independente da idade. Dra. Jussimara Souza Steglich
Crédito: Divulgação/arquivo pessoal

Jussimara Souza Steglich  defende mais informação sobre a saúde sexual feminina no envelhecimento – Divulgação/Arquivo pessoal

Jussimara admitiu que queixas femininas, como secura vaginal, dor durante as relações, podem também ser decorrentes de alguma doença. A dor na relação, por exemplo, pode ser sentida profundamente na pelve, como resultado de endometriose ou aderências, doença inflamatória pélvica. Há também dores sentidas quase no assoalho pélvico. 

“Essa mulher que sente dor vai contrair totalmente o corpo inteiro e, muito mais, os músculos do assoalho pélvico. Toda mulher que tem dor sexual tem o componente da dor e o componente da contratura muscular. Por isso, é importante um trabalho multidisciplinar”, sugeriu a ginecologista.

No entender da especialista, a longevidade feminina não pode ser discutida sem falar de menopausa e sexualidade. No Brasil, cerca de 30 milhões de mulheres estão nessa faixa e dados nacionais apontam que 82% têm sintomas que impactam qualidade de vida. 

Fonte: EBC Saúde

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