Cultura
Um dos maiores do país, São João de Caruaru começa no sábado
Cultura
Um dos festejos juninos mais tradicionais do país, o São João de Caruaru, em Pernambuco, fará a abertura das celebrações no palco principal neste sábado (30).

Com o tema “Tecido de Tradições, Costurando Gerações”, o Pátio de Eventos Luiz Gonzaga recebe, no primeiro dia, três gerações distintas do cancioneiro feminino do Nordeste: Elba Ramalho, Mari Fernandez e Solange Almeida.
No domingo, o forró dita a regra, com show de Cavaleiros Do Forró, Mastruz Com Leite, Limão Com Mel e Jonas Esticado. No palco que homenageia Gonzagão, haverá shows até 27 de junho.
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Outros espaços, como o Pátio Azulão, já começaram a programação na quinta-feira e terão shows até 23 de junho.
Já o polo Alto do Moura, outra referência do São João descentralizado de Caruaru inicia o Arraiá no dia 6 de junho. Um dos destaques da programação no Alto é o Festival de Quadrilhas Estilizadas de Caruaru, que está marcado para todos os domingos de junho.
Telões da Copa do Mundo
Tanto o Azulão quanto o Luiz Gonzaga terão telões para transmitir os jogos da seleção brasileira na Copa do Mundo nos dias 13, 19 e 24 de junho.
A prefeitura de Caruaru espera receber mais de 4 milhões de pessoas nas próximas semanas e movimentar cerca de R$ 800 milhões ao longo da temporada junina, com geração de 20 mil empregos diretos e indiretos, impactando a economia local com um crescimento de 8,5% em relação à 2025.
No Instagram do São João de Caruaru é possível acessar toda a programação.
O canal da Preftv no Youtube, afiliada da TV Brasil, fará a transmissão de vários momentos do São João de Caruaru ao longo das próximas semanas.
Cultura
Canções sobre cidades atravessam gerações e marcam os festejos juninos
Entre as águas do Rio São Francisco e a ponte que liga duas cidades irmãs, a canção “Petrolina, Juazeiro”, composta por Jorge de Altinho e Chico Angra e lançada pelo Trio Nordestino na década de 1970, transformou duas cidades em um dos retratos mais conhecidos da música nordestina. Ao atravessar gerações, a música mostra como o forró também funciona como registro afetivo dos territórios, transformando paisagens, costumes e histórias locais em versos que seguem circulando muito além das fronteiras regionais.

Essa relação entre música e pertencimento ganhou espaço na trajetória do cantor e compositor Del Feliz, que já escreveu mais de 150 canções em homenagem a municípios brasileiros. A primeira delas foi dedicada à cidade baiana Amargosa, no Vale do Jequiriçá. Segundo o artista, a iniciativa surgiu de forma espontânea e com o passar do tempo, prefeitos, moradores e representantes de diferentes localidades passaram a solicitar composições que retratassem os municípios.
“Eu comecei a pesquisar a cidade e aí falei: ‘não, tem muita coisa boa aqui, eu vou querer juntar tudo que é relevante’. Virou uma identidade da cidade, eu acabei me tornando cidadão de Amargosa. E aí veio o ciúme de algumas cidades ali próximas, o pessoal amigo, né, obviamente que tiveram acesso, dizendo, ‘ah, mas falta nossa, não sei o quê, a de Cruz, a de Santo Antônio’. Aí eu comecei fazer, recebi também os títulos de cidadão de lá. As músicas repercutiram também igualmente, muito positivamente no coração das pessoas. Acho que todo mundo é um tanto bairrista, né?”
Outro exemplo desse movimento é Sertão de Curaçá, composta por Targino Gondim e Zé da Wilton. Lançada em 1997, a música homenageia a cidade baiana, às margens do Rio São Francisco, conhecida como Capital dos Vaqueiros. Segundo Targino, a composição nasceu da convivência com a cultura sertaneja local e também da necessidade de registrar elementos que fazem parte da identidade do município.
“Quando eu tive um encontro com Zé da Wilton, que é um apelido de Zé de Lalinha, um senhor com um sonho de de virar artista. E aí ele entrou comigo e me mostrou algumas canções, tudo e tal e tinha essa ideia dessa música Sertão do Curaçá e foi quando eu tive a ideia de compor junto com ele e aumentar algumas coisas, transformando a música em uma espécie de também de registro sobre o acontecimento com a Ararinha Azul. Na época a Ararinha Azul tinha tinha entrado em extinção, né? E aí eu resolvi compor essa música nessa época”.
No período junino, essas canções seguem percorrendo estradas, feiras e arraiais. Mais do que animar os festejos, elas transformam cidades em versos e ajudam a manter vivas histórias que atravessam gerações.
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