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Memórias que não cabem em embrulhos

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*Por Edy Machado

As festas infantis passam por uma transformação significativa. Aos poucos, o acúmulo de presentes dá lugar a algo muito mais valioso, que é a experiência. Celebrar deixa de ser sobre objetos e passa a ser sobre viver momentos que realmente marcam a infância.

Quem convive com crianças percebe com facilidade o que elas levam de um aniversário. Não são os embrulhos ou os brinquedos que se destacam, mas sim os sorrisos, as descobertas e a alegria compartilhada. São essas vivências que constroem memórias afetivas e mantêm a celebração viva muito além do dia da festa.

Nesse novo formato, o brincar ganha protagonismo. Espaços que incentivam movimento, imaginação e autonomia fazem toda a diferença. Correr, pular, explorar e criar histórias tornam a experiência mais leve, natural e significativa, respeitando o tempo e o jeito de cada criança.

As atividades também acompanham essa mudança. Oficinas criativas, circuitos interativos e desafios envolvem diferentes idades e estimulam a participação ativa. Mais do que entreter, essas experiências conectam, despertam interesse e tornam cada festa única.

Outro ponto essencial é a interação. Em um cenário cada vez mais digital, a festa se transforma em um espaço de conexão. O brincar em grupo fortalece amizades, estimula a cooperação e desenvolve habilidades como empatia e respeito, gerando aprendizados que vão além do evento.

Para as famílias, essa nova forma de celebrar traz mais significado. A festa deixa de ser uma soma de itens e se torna um conjunto de sentimentos. Ver os filhos felizes, integrados e aproveitando cada momento tem um valor que não se mede.

O Buffet Fly Park acompanha esse movimento ao valorizar experiências que encantam e envolvem. Cada detalhe é pensado para estimular a alegria, a interação e o brincar livre, criando um ambiente onde o mais importante não é o que se leva para casa, mas o que se vive. No fim, são as memórias que permanecem elas, definitivamente, não cabem em embrulhos.

*Edy Machado é empresária e proprietária do Fly Park, em Cuiabá.

ARTIGO DE OPINIÃO

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O professor brasileiro presta contas demais e decide de menos

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Há um paradoxo instalado nas escolas brasileiras. Exigimos do docente formação cada vez mais sofisticada e, simultaneamente, reduzimos sua margem de decisão. O resultado é um profissional altamente demandado, pouco autorizado e valorizado.

Os números descrevem a dimensão do problema. No Global Teacher Status Index, levantamento da Varkey Foundation conduzido em 35 países, o Brasil aparece na última posição em valorização docente. Apenas 9% dos brasileiros acreditam que os alunos respeitam seus professores.

Os indicadores posteriores não corrigem o diagnóstico. O Relatório Global sobre Professores, da Unesco, aponta que apenas 5% dos jovens brasileiros de 15 anos manifestam interesse pela docência. Entre 2009 e 2021, a proporção de professores com menos de 24 anos caiu 42%, enquanto a de profissionais acima de 50 cresceu 109%. Não estamos diante de uma crise de percepção. Estamos diante de uma crise de sucessão.

A causa costuma ser atribuída à remuneração. A remuneração é parte do problema, mas não o explica sozinho. O que corrói a profissão, silenciosamente, é a suspeita permanente.

Em mais de uma década de imersões em sistemas educacionais estrangeiros, observei o funcionamento inverso. Na Finlândia, a formação docente exige mestrado e a seleção admite cerca de um décimo dos candidatos. Não há inspeção nacional das escolas nem avaliação formal individualizada dos professores. A arquitetura do sistema parte de um pressuposto: quem foi rigorosamente formado não precisa ser vigiado.

É tentador ler isso como permissividade. É o contrário. Aquele sistema é mais exigente que o nosso, apenas desloca o rigor para a porta de entrada, em vez de distribuí-lo em controles posteriores.

Aqui, exigimos várias camadas de prestação de contas: registros, relatórios, justificativas, protocolos de comprovação. O docente passa boa parte de sua jornada demonstrando que trabalhou, em detrimento do tempo dedicado a trabalhar.

Não defendo a ausência de accountability. Dirijo instituições e sei que indicadores, metas e transparência são inegociáveis. Defendo que ela se dirija ao projeto pedagógico, e não à competência individual de quem já foi contratado justamente por possuí-la.

Existe alternativa metodológica, e ela já está em uso. Trata-se do Barômetro de Pais, instrumento de escuta sistematizado pela consultora educacional Ayla Huovi a partir de práticas finlandesas de gestão escolar.

O funcionamento é simples e a inversão que ele provoca é profunda. As perguntas dirigidas às famílias são formuladas pelos próprios professores, e não pela direção ou pela área de comunicação. As respostas são consolidadas em um conjunto reduzido de eixos direcionadores, que passam a orientar as decisões pedagógicas do período seguinte. E o resultado retorna às famílias, acompanhado do que será feito a partir dele. A sensação que a família já foi ouvida, diminui a recorrência de intromissões ao longo do período.

A diferença em relação a uma pesquisa de satisfação convencional é a natureza e o objetivo. A pesquisa de satisfação mede a percepção sobre o serviço prestado e, quase sempre, individualiza responsabilidades. O barômetro produz diagnóstico institucional. Ele não pergunta se o professor agrada; pergunta o que a escola precisa enxergar. Quando quem conhece a sala de aula define o que investigar, a escuta deixa de ser gestão de reclamações e passa a alimentar política pedagógica.

Aplicamos o método em nossas escolas e o efeito mais nítido não recaiu sobre as famílias, mas sobre a equipe. O professor que formula a pergunta assume a autoria da resposta. Ele deixa de ser objeto do levantamento e passa a ser seu condutor.

Isso reposiciona a relação com os pais. A confiança das famílias nasce de perceber que o professor detém autoridade técnica reconhecida por seus gestores. Quando a escola trata o docente como executor, a família o trata como prestador de serviço.

Reverter esse quadro é decisão de governança, não de discurso. Passa por selecionar melhor, formar continuamente, remunerar de forma compatível e sustentar publicamente as decisões pedagógicas de quem está em sala.

*Márcia Amorim Pedr’Angelo é psicopedagqoga, fundadora das escolas Toque de Mãe e Unicus, e coordenadora da Unesco para a Educação em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul

 

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