Opinião
Por uma educação antimachista
Opinião
Por *Marcio Camilo
No Brasil, 3,7 milhões de mulheres sofreram violência doméstica ou familiar em 2025. 71% das mulheres entrevistadas afirmaram que as agressões ocorreram na frente de crianças ou do próprio filho. Os números são do instituto Datasenado e revelam um cenário preocupante da violência contra a mulher. Um quadro agravado pelo ciclo do machismo estrutural que perpassa as nossas instituições, a começar pela família.
É preciso quebrar romper com esse ciclo. E a quebra de paradigma começa em casa. Com pais ensinando meninos e meninas a serem futuros adultos mais diversos, independentes e desconstruídos. Em um mundo tão moderno, não existe mais essa de “coisas de menino” e “coisas de menina”. Aliás, nunca existiu. Estudos revelam que em algumas sociedades primitivas a caça ou o trabalho braçal eram funções exercidas pelas mulheres. Fósseis femininos encontrados com ferramentas nos apontam o caminho. No final das contas, certas verdades não passam de convenções sociais…
Sendo assim, o menino deve ser educado para se transformar em um homem que saiba lavar uma roupa, fazer comida e não deixar a missão de cuidar dos filhos majoritariamente nas costas da mãe. Que esse menino não seja um mero ajudante e sim um verdadeiro parceiro de sua companheira, ao dividir as responsabilidades da casa. A menina, por sua vez, deve, desde cedo, ser conscientizada pelos pais, de que ela tem um universo de escolhas pela frente. Que ela pode jogar bola e brincar de carrinho, se quiser. Ser uma futura Marta do futebol ou ter como profissão pilotar carros de rally.
Estamos falando de milhões de mulheres que sofrem violência nesse país. Violência de todos os tipos: ofensas, agressões físicas e assassinatos. O que alimenta isso é o machismo estrutural. Uma cultura patriarcal em que a mulher é vista como posse, como ser inferior e que sendo assim: “eu posso fazer tudo com ela”.
É preciso dar um basta nisso. É preciso uma educação antimachista em casa, com leituras sobre igualdade de gênero. Com meninas entendendo que elas possuem um universo de escolhas e com meninos aprendendo a se virarem sozinhos. A serem futuros parceiros que saibam fazer uma comida saborosa para receber sua companheira que chega cansada do trabalho.
* MARCIO CAMILO, jornalista e mestre pelo programa de Pós-Graduação em Comunicação e Poder da Universidade Federal de Mato Grosso
Opinião
Agosto Lilás, romper o silêncio é um compromisso de todos!
Todos os dias, milhares de mulheres carregam marcas que nem sempre podem ser vistas. Algumas escondem hematomas. Outras convivem com cicatrizes emocionais provocadas por humilhações, ameaças e medo. Muitas permanecem em relacionamentos abusivos porque dependem financeiramente do agressor, não encontram apoio ou perderam a esperança de recomeçar.
Nenhuma mulher deveria viver assim.
É inadmissível que Mato Grosso, um dos Estados que mais cresce economicamente no Brasil, carregue também a triste marca de figurar, pelo terceiro ano consecutivo, entre os que mais registram feminicídios. Esse contraste nos envergonha e reforça que desenvolvimento só é verdadeiro quando preserva vidas e garante dignidade.
A Lei Maria da Penha, que completa 20 anos, transformou o enfrentamento da violência doméstica ao reconhecer que esse não é um problema privado, mas uma grave violação dos direitos humanos. Porém, leis, sozinhas, não mudam a realidade. Elas precisam ser cumpridas e acompanhadas por políticas públicas eficientes.
Foi com esse propósito que apresentamos iniciativas para fortalecer a proteção às mulheres em Mato Grosso. Entre elas, o Projeto de Lei nº 107/2025, que reserva vagas de emprego em contratos públicos para mulheres em situação de violência ou vulnerabilidade social, oferecendo uma oportunidade concreta de reconstrução por meio da independência financeira.
Também são de nossa autoria a Lei nº 11.795/2022, que criou um guia permanente da rede de atendimento às vítimas, e a Lei nº 13.151/2025, que ampliou a mobilização dos homens pelo fim da violência contra a mulher e institucionalizou a campanha Laço Branco no calendário estadual. Afinal, homens de respeito respeitam as mulheres.
Como presidente da Assembleia Legislativa, também solicitei informações sobre a aplicação das mais de 60 leis estaduais já existentes de proteção às mulheres. O desafio não é apenas criar normas, mas fazer com que elas cheguem à vida de quem mais precisa.
Mas nenhuma lei será suficiente sem uma mudança de consciência. A violência nasce, muitas vezes, dentro de casa, alimentada pelo desrespeito, pelo machismo e pela intolerância. O lar deve ser um lugar de acolhimento, nunca de medo.
Neste Agosto Lilás, convido cada cidadão a fazer sua parte. Que acolhamos quem pede ajuda, denunciemos a violência e eduquemos nossas crianças para o respeito, a igualdade e a empatia.
Romper o silêncio é um ato de coragem. Estender a mão é um gesto de humanidade. Construir um Mato Grosso onde nenhuma mulher tenha medo de viver é uma missão de todos nós.
*Max Russi, deputado estadual e atual presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso
-
Política6 dias atrásCoronel Fernanda diz que prioridade do PL é eleger Flávio Bolsonaro: “meu interesse é coletivo”
-
Política6 dias atrásFabinho Tardin oficializa candidatura e disputa novo mandato como deputado estadual
-
Saúde7 dias atrásCasos de sarampo sobem para 16 em São Paulo
-
Entretenimento7 dias atrásBruna Biancardi exibe barriguinha da terceira gravidez em look fitness
-
Mato Grosso7 dias atrásProjeto do MPMT reforça papel dos homens no enfrentamento à violência
-
Política6 dias atrásMichelle Bolsonaro sela apoio a Medeiros e reafirma: “Meu marido escolheu”
-
Política5 dias atrásMax Russi confirma apoio a Otaviano Pivetta na disputa pelo Paiaguás
-
Política7 dias atrásFábio Garcia será o vice de Otaviano Pivetta na disputa pelo Governo de MT
